SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 16:18

Padre José Luís Borga celebrou 25 anos de Presbítero

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O Padre José Luís Borga, natural de Lapas, Torres Novas, celebrou no dia 26 de maio, as suas Bodas de Prata de vida sacerdotal e para assinalar a data, lançou o seu trabalho discográfico mais recente intitulado “Gente de Fé”.

Este é quase um álbum de autor – o que vi, o que quis sublinhar, o que quis comunicar”, afirma o sacerdote ao falar das as 11 canções que compõem o álbum.

São pedaços de mim que todos juntos me fazem aproximar da minha maneira de ser padre e da minha felicidade. Qualquer um destes temas, diz bem o que tem sido a minha experiência sacerdotal”.

No rescaldo deste aniversário, O Almonda esteve à conversa com o Padre José Luís Borga e é essa entrevista que aqui é apresentada.

Jornal O Almonda: Em que circunstâncias nasceu a sua vocação ao Sacerdócio? Foi de alguma forma influenciado pela ordenação sacerdotal do seu irmão, Padre João Borga?

Padre José Luís Borga: É claro que sim. Nasci numa família católica. O meu pai era sacristão, a minha mãe pertencia à Ação católica. Eram militantes da vida da Igreja. O meu irmão já era seminarista quando eu nasci. Dentro de todas estas circunstâncias, foi relativamente facilitada a minha postura de escuta da vontade de Deus a meu respeito.

Segui a vocação sacerdotal como poderia ter sido outra qualquer. As minhas irmãs e o meu outro irmão que não seguiram a vida consagrada também o fizeram por docilidade à vontade do Espírito e de Deus. Em relação ao facto de ter um irmão Padre, eu tinha doze anos quando ele foi ordenado Padre, e essa é uma altura muito marcante na nossa vida. Dali até aos meus 17 anos acompanhei a vida dele. Já antes da sua ordenação, sempre me foi familiar a vida do seminário e dos seminaristas, entretanto no ano de 1975 é criada a Diocese de Santarém, com a presença de um Bispo novo e esse foi um momento também vivido muito intensamente. Tudo isto somado não determina obrigatoriamente a vocação sacerdotal, mas foram sem dúvida momentos facilitadores para a escuta da vontade de Deus.

Entrei no seminário aos 17 anos depois de andar um tempo a resistir à ideia. Tinha outros planos.

Por um lado pensava que o meu irmão já era Padre, a minha família já tinha portanto dado o seu contributo, apesar de que sempre me inquietou muito a falta de sacerdotes. Perante esta inquietação eu sempre disse que esta vocação era para todos menos para mim.

A adolescência é feita destas lutas de consciência.

Mas aos 17 anos, momento para grandes decisões decidi entrar no Seminário.

JOA: Vinte e cinco anos depois, que balanço faz do caminho percorrido?

PJLB: A sensação que me dá é que passou muito depressa. A vida é assim, quando é apaixonante, quando tem sumo, quando tem conteúdo, acaba por passar rapidamente. Há muitas coisas boas que me escapa, mas isso é para quem tem tudo registado, o que não é o meu caso.

Não sou colecionador de troféus. Estou sempre mais interessado no que há-de vir do que no que passou. Não sou muito saudosista. Estou preocupado sim em como vou celebrar os 50 anos se lá chegar.

Passei por sete paróquias, passei oito anos muito tranquilos em Almoster, Cartaxo e depois foram quinze anos de uma caminhada apaixonante no Entroncamento. Cheguei ali com trinta e poucos anos, na força da vida e ali tive grandes realizações. Fui vivendo. E vivi com alguma verdade, com paixão, com alegria.

São 25 anos de serviço. São 25 anos de caminhada numa Igreja que está com um rosto completamente diferente e neste percurso, vou tentando ser resistente àquilo que me parece estar errado e indo ao encontro do que parece estar correto.

Somos instrumentos da graça de Deus e quando Deus atua é uma surpresa permanente. São 25 anos de caminhada.

Não guardo grandes troféus. Nada me envergonha. Fiz sempre o quer me pareceu ser o correto.

O que me interessa é oi que estou agora a viver. Os meus 25 anos de sacerdócio e o que tenho pela frente.

JOA: A música esteve sempre presente nas várias etapas da sua vida, ainda muito integrou-se no serviço da liturgia da comunidade de Lapas como organista do coro paroquial.
Entretanto, com o seu irmão gémeo e outros jovens colegas da Escola Secundária de Torres Novas, formou um “grupo de baile” que dava pelo nome “Nova Era”, onde era o “teclista”.A música é desde cedo uma vocação paralela?

PJLB: Deus dá-nos os dons e nós temos de os pôr a render e não há dúvida de que têm rendido muito. Não podia por assim dizer, pôr esta viola no saco. A música é o lugar por excelência do espiritual. São estados de alma. São comunicações emocionais. Há pouca coisa tão espiritual como a música.

Também foram importantes as circunstâncias que conduziram a este processo e devo dizer que não desperdicei as oportunidades. Não fui obstinado. Não andei à procura de ninguém para gravar um disco. No entanto, quando surgiu a oportunidade, disse que se é esse o caminho, vamos ver o que é que dá.

Eu era padre em Almoster, e o Carlos Alberto Moniz encontrou-me numa missa onde, como habitualmente, puxei da guitarra e comecei a cantar. Eu animava liturgicamente as missas. Fui assim apanhado com a guitarra na mão. E desafiou-me a fazer o que na altura seria apenas uma brincadeira.

Vi-me assim rodeado de recursos que não tinha o direito de desperdiçar. E resultou. Já são quinze anos na estrada e já são sete discos.

JOA: A par com a música, tornou-se uma figura mediática pelas várias participações nos meios de comunicação social. A sua popularidade foi sempre bem vista pela nossa Diocese?


Célia Ramos

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