SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Setembro 2020, 14:33

E a Pediatria? Por favor preocupem-se!

O deslumbramento é amigo da abstracção; juntos são perigosos porque amigos da inércia e da incapacidade. Quando este estado de espírito é circunstancial, até pode ter laivos de simpatia mas, quando é um processo prolongado, tornar-se-á perigoso. Que em Torres Novas o preço a pagar por esse estado de espírito seja o desleixo e o abandono a que o concelho está votado, em particular a cidade, é grave; mas o assunto ganha contornos de maior gravidade, quando questões estratégicas e de fundo para o desenvolvimento do concelho, passam ao lado de quem deslumbrado continua.

A saúde, o emprego e a componente social são três vectores determinantes da gestão da causa pública. Na componente da saúde, os municípios não têm decisão directa sobre as instituições a ela ligadas; no entanto, podem e devem estar atentos e procurarem defender os interesses das populações que representam, porque para além de um direito, é uma obrigação. No Centro Hospitalar do Médio Tejo, o Hospital Rainha Santa Isabel de Torres Novas tem sido o parceiro pobre, muito em especial desde 2014. Assiste-se desde aquele ano, a um progressivo esvaziamento do Hospital de Torres Novas e, também, a uma luta sem tréguas do Serviço de Pediatria para sobreviver.

Aquele sector tem sido vítima de ataques internos e externos, muito em particular os vindos sobretudo de Leiria que sempre lutou para “empurrar” a pediatria para Abrantes, para assim dominar toda a nossa região. A recente transferência da Maternidade, ainda que precária, de Abrantes para Torres Novas, fez emergir uma particularidade séria: aumentou expressivamente o número de partos de residentes na nossa região. Mas também veio avivar ainda mais os espíritos inquietos pela manutenção da Pediatria em Torres Novas. A Maternidade vai regressar para Abrantes e, desgraçadamente, há quem queira ver a Pediatria acompanhá-la para aquela cidade; assim estariam criadas as condições para a tão desejada quanto necessária para a região, de uma Valência Materno-infantil. Mas este departamento Materno-infantil só pode ter o Hospital de Torres Novas, como seu espaço de acolhimento.

Recentemente, um director de urgências do Centro Hospitalar pediu um parecer ao Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos, para aferir da viabilidade técnica da manutenção da Pediatria em Torres Novas; este médico reside na área de Abrantes; por falar nesta terra amiga, lembro que o município abrantino em meados de Maio homenageou entre outros, os profissionais da saúde da sua terra… eles sabem como se trabalha… Em Torres Novas, as sucessivas administrações do Centro Hospitalar do Médio Tejo pouco ou nada têm feito para potenciar as capacidades e competências do Hospital Rainha Santa Isabel; a este pormenor junteselhe o alheamento deslumbrado do executivo, que nem junto das entidades responsáveis consegue a pintura do edifício. Com fez Abrantes… E, voltando ao fulcro da questão, pergunto: por que “carga de água” foi pedido um parecer para saber se tecnicamente a pediatria deve estar ou não em Torres Novas? Por favor preocupem-se e, se forem capazes, mexam-se.

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