SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Setembro 2020, 04:31

Portugal é campeão na luta contra o HIV

Por: Fábio Carvalho

Podemos não ter sido campeões do mundo de futebol, mas somos campeões em outros campos, e eu digo bem mais importantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde, Portugal é um dos melhores exemplos no que toca a luta contra o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Segundo o relatório da OMS, mais de 90% das pessoas diagnosticadas com HIV em Portugal estão a ser tratadas e, entre os doentes em tratamento, 90% têm uma carga indetetável do vírus. Em entrevista à agência Lusa, Masoud Dara, coordenador do Programa de Doenças Transmissíveis da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que “Portugal tem feito um trabalho exemplar nos campos da prevenção, deteção, tratamento e cuidados dos doentes com HIV”. O país atingiu praticamente todos os objetivos estabelecidos no programa das Nações Unidas para o HIV/Sida – ONUSIDA, conhecido como 90/90/90. O programa pretende que, até 2020, 90% das pessoas com VIH/Sida estejam diagnosticadas, que 90% dos diagnosticados estejam em tratamento e que 90% dos que estão em tratamento atinjam uma carga viral indetetável ao ponto de ser impossível transmitir a infeção. O facto de ser um dos países com mais pessoas diagnosticadas ajuda na prevenção da transmissão, e Portugal é mesmo um dos melhores, se não o melhor no que toca a cuidados integrados. Isto coloca o nosso país ao lado dos melhores como por exemplo a Dinamarca, Islândia, Suécia, Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, tendo também feito evoluções em relação a novas infeções entre toxicodependentes. Em Portugal, apenas 1,5% dos novos casos dizem respeito a pessoas que utilizam drogas injetáveis. É nos países do Leste
Europeu que a situação é mais preocupante, já que naquela região do globo a Sida continua a ser um assunto tabu. “Em 2016, havia 160 mil novos infetados na Europa, dos quais 80% viviam em países de leste”, lamenta Masoud Dara, explicando que naquela região o número de novos doentes continua a aumentar, em parte por falta de prevenção e limitado acesso a tratamentos. A Organização Mundial de Saúde afirma que ainda há um estigma muito grande relativo a esta doença que precisa de ser quebrado. É uma das doenças tabu, e ainda não é muito bem vista pela sociedade em geral. Isso faz com as pessoas tenham tendência a esconder a doença dos familiares e amigos o que pode levar o doente, por vergonha, a evitar o tratamento. O HIV encontra-se principalmente no sangue, no sémen e nos fluídos vaginais das pessoas infetadas. Assim, a transmissão do vírus só pode ocorrer se estes fluídos corporais entrarem diretamente em contacto com o corpo de outra pessoa, pela via sexual e/ou sanguínea. Uma mulher seropositiva pode também transmitir o vírus ao seu bebé durante a gravidez, o parto ou o aleitamento. É importante salientar o facto de não constituírem riscos de transmissão comportamentos sociais, como abraçar, beijar, apertar a mão ou beber pelo mesmo copo que uma pessoa infetada pelo HIV. O diagnóstico de infeção por HIV pode provocar um conjunto de emoções com as quais pode ser difícil lidar: ansiedade, negação, depressão, medo. O apoio psicológico e aconselhamento é, assim, fundamental para garantir o bem-estar dos seropositivos. Não há ainda uma cura para a infeção pelo HIV e SIDA. Os tratamentos passam pela administração de uma terapêutica anti-retrovírica bastante eficaz. Em Portugal, esta terapêutica é gratuita e de distribuição hospitalar, basta que as pessoas seropositivas sejam referenciadas junto dos serviços, sendo marcada uma primeira consulta médica. O tratamento, com medicamentos anti-retrovíricos, deve ser acompanhado desde o início, de modo a aumentar a adesão dos doentes. É importante não ter medo de reconhecer a doença, não é um bicho papão, como muitos a fazem, pode não haver cura, mas há tratamento e há esperança. Estamos num bom caminho. Vamos continuar assim.

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