SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Setembro 2020, 15:26

Reserva Natural do Paul do Boquilobo assinala 40 anos

“A Reserva Natural do Paul do Boquilobo é uma ilha de biodiversidade que urge preservar. E ainda bem, que cada vez mais, todas as entidades que têm responsabilidade sobre o território e que exercem atividades económicas no território, estão a aperceberse dessa responsabilidade e da importância da reserva da biosfera.”

A Reserva Natural do Paul do Boquilobo assinala este ano quatro décadas de existência. Considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera desde 1981 foi a primeira área portuguesa a integrar aquela Rede Mundial. Atualmente representa um importante ponto de valorização da atividade económica, social e cultural das zonas limítrofes. E apesar de ainda haver muitas arestas a ajustar, desde há 40 anos, muitos passos foram dados em prol da preservação e do desenvolvimento sustentável desta área protegida, localizada entre os concelhos de Torres Novas e Golegã, na confluência dos rios Tejo e Almonda.

Quem o afirma é Fernando Pereira, Técnico Superior do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e interlocutor da Reserva Natural do Paul do Boquilobo: “É interessante perceber que na altura em que a Reserva foi criada, os conceitos de conservação da Natureza e os conceitos de biodiversidade não estavam ainda bem patentes na mente de todas as pessoas, como é o caso dos agricultores e eventualmente até das autarquias. Constatamos com muita satisfação, que ao longo dos tempos essa postura tem vindo a modificar-se”.

Uma situação que se reflete diretamente no plano de desenvolvimento da Reserva: “Passados 40 anos, contamos com uma série de parcerias – seja ao nível das autarquias, seja ao nível das associações de agricultores – que muito valorizam a área protegida. E que são muito importantes no sentido de se implementarem medidas de conservação e de se traçarem estratégias de desenvolvimento, que possam permitir a realização de várias atividades económicas, e simultaneamente, valorizar e fomentar medidas de conservação da Natureza”. O grande desafio para os próximos tempos passará pela projeção da Reserva Natural do Paul do Boquilobo e da própria marca da Reserva da Biosfera, enquanto património mundial distintivo da lezíria ribatejana, conforme augura Joaquim Cabral, Vereador do Turismo e do Património Natural da Câmara Municipal de Torres Novas: “O grande propósito é valorizar esta área para que seja cada vez mais conhecida, sentida e vivida pelas pessoas, acautelando sempre a proteção da biodiversidade, do ecossistema e dos habitats naturais.

E fazer com que todos estes percursos e rotas pedestres fiquem disponíveis para serem usufruídos pelas nossas famílias, pelos nossos jovens e por quem visita o nosso concelho”. Para tal, estão em andamento vários projetos de valorização da Reserva, como é o caso da “Rota do Almonda”, que consiste em traçar um percurso pedestre entre a Serra D’Aire e Candeeiros, desde a nascente do rio Almonda até ao Paul do Boquilobo. Um investimento na ordem dos 100 mil euros, que prevê a colocação de sinalética, equipamentos e estruturas de informação, a instalação de duas estações automáticas de monotorização do caudal e da qualidade da água, bem como os arranjos urbanísticos e do pavimento.

Considerando ainda um projeto expositivo e interpretativo para o futuro Centro de Interpretação da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, que também se encontra projetado.

 Adicionalmente e em consequência do investimento no melhoramento das condições da zona envolvente da Reserva, Joaquim Cabral acredita que a médio prazo será possível alavancar o potencial da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, aos interesses turísticos e económicos do concelho: “É de extrema importância criar estratégias para promover ligações interessantes, por exemplo, com o Museu Agrícola de Riachos, as Ruínas Romanas, o Castelo e também com as unidades de alojamento e os espaços de restauração.

E isto são maisvalias do ponto de vista económico, que permitem aumentar rendimentos para o território”, defende o vereador. Por seu lado, também com os olhos postos no futuro, Fernando Pereira diz que os sinais são animadores, mas que “a conservação da Natureza é um desafio constante” e que “há sempre riscos a ter em conta”. Ainda assim, salienta que apesar de “existirem certamente alguns problemas na Reserva”, estão a ser criadas condições para que “aos poucos esses problemas sejam ultrapassados”, como aconteceu com as questões relacionadas com a qualidade da água: “Há uns anos, a qualidade da água apresentava diversos problemas que pode riam comprometer o Paul, uma vez que esta é uma zona húmida e as espécies vivem essencialmente da água.

E hoje é agradável constatar que, apesar de ainda haver um grande caminho a percorrer, a qualidade da água melhorou substancialmente”. “A Reserva Natural do Paul do Boquilobo é uma ilha de biodiversidade que urge preservar. E ainda bem, que cada vez mais, todas as entidades que têm responsabilidade sobre o território e que exercem atividades económicas no território, estão a aperceberse dessa responsabilidade e da importância da reserva da biosfera”, conclui Fernando Pereira. Recordese que a Unidade de Gestão da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, compreende um grupo executivo, composto pela ONGATEJO – que o preside –, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), pelos Municípios de Torres Novas e Golegã e por uma comissão de acompanhamento, constituída por vários atores locais e agentes da área da conservação da natureza e ambiental, atividades económicas, instituições da administração pública e da área científica.

Carla Paixão e Nuno Vasco

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