SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 00:42

De boas intenções…

Li num jornal de referência uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a pobreza em Portugal”. Os signatários não eram umas pessoas quaisquer: O Presidente da Rede Europeia Anti Pobreza e os outros todos membros dos diversos conselhos sociais do país. Acção meritória porque alertam mais uma vez o governo contra esta vergonha da pobreza em Portugal. Aquilo que dizem é pertinente mas infelizmente como acontece a quem está à frente de instituições sociais, esquecem-se de apontar soluções. Para isso, porém, é preciso meter as mãos na massa, como se diz popularmente, e isso é o mais difícil. Como pode um governo acudir a tantos fogos? Sabemos que a pobreza não é só motivada por uma sociedade desequilibrada e egoísta, mas também pela falta de integração na sociedade e pelos muitos problemas sociais causados pelas próprias pessoas. Por isso é que a escolaridade é tão importante.

O que eu vejo e experiencio é uma mentalidade atávica que quer que o estado resolva tudo. Não tenho casa: o Estado é obrigado a darme uma; não tenho dinheiro: o Estado tem que me dar um subsídio porque um trabalho, embora haja excepções, custa muito. Lembra-me sempre um episódio da minha meninice na minha Beira Alta. Há uma capela de S. Macário numa das muitas serras daquela zona com afluência de muito povo no dia da festa. Em certa altura os cuidadores da capela subiram a serra para cuidar da capela. Quando chegaram, viram a porta arrombada e a imagem de S. Macário exposta no adro. Mas tinha um letreiro ao pescoço: “Os pobres não têm, os ricos não dão, os santos o pagarão”. Parece, segundo me contaram que os ladrões pouco dinheiro encontraram. Justificavam assim o seu acto. Assim me parece que muita pobreza acha mais fácil estender a mão que fazer pela vida. Só conhecendo realmente o problema social de uma parte da sociedade é possível resolvê-los. Mas não é nos gabinetes que encontramos essa pobreza e muitos dos problemas sociais. Haja vontade de saber as causas para acharmos os remédios.

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