SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 24 Setembro 2020, 04:45

Daniel Evangelista – “Messi” – Jogador de Futebol, 33 anos

“Aquilo de que sinto mais falta é da competição ao domingo,dos jogos. O árbitro a mandar a moeda ao ar, escolher-se o campo, o apito do árbitro quando marcamos golo, um colega a ser expulso ou outro que se aleija. Se ganhamos é uma festa e se perdemos, parece que o mundo cai sobre nós. E sinto muita falta do balneário, do companheirismo, das brincadeiras. Sinto falta de tudo o que é o futebol”

1. Sou um adulto de 33 anos que começou esta viagem no futebol desde cedo. Comecei a jogar na rua, na Zibreira, com os meus primos. E aos 12 anos tive a oportunidade de começar a jogar como federado. Iniciei no CADE, no Entroncamento, e entretanto, aos 14 anos, surgiu a oportunidade de dar um passo maior e fui jogar para o Sporting Clube de Braga, a alguns quilómetros de casa, onde cheguei a profissional de futebol pela equipa B. Depois, houve uma reformulação de todos os campeonatos e eu regressei aqui para a minha zona. Joguei no Monsanto e já vou para a oitava época no CDTN. E por aqui hei de ficar, porque já estou no final de carreira. Pelas contas, mais de metade da minha vida já foi dedicada ao futebol.

2. Desde que me lembro de existir, que me lembro de jogar futebol e de adorar jogar futebol. A minha maior motivação é a paixão pelo desporto, que neste caso particular é o futebol. Ainda me vai cair a ficha quando terminar a carreira. Não me recordo de fazer outra coisa de que gostasse tanto, que não seja jogar futebol.

3. É muito complicado, especialmente no caso do futebol, por se tratar de um desporto coletivo. Nós tivemos o último jogo no dia 8 de março aqui em casa, treinámos na terça-feira seguinte e depois, foi quando tudo rebentou. De um momento para o outro, ficámos sem poder jogar. O futebol implica contacto físico, somos mais de vinte atletas, enchemos um balneário e há uma grande proximidade tanto nos treinos, como nos jogos. Por isso, a paragem seria inevitável. Mas estamos todos a tentar adaptar-nos a esta realidade desconhecida.

4. É muito difícil readaptar, por-que não vamos estar a jogar à bola contra uma parede. Futebol é competição. Sozinho é impossível. O que tenho feito para me manter ativo é o que a maior parte dos portugueses está a fazer. Correr em locais onde não haja proximidade com outras pessoas. E em casa faço alguma preparação física. Mas falta a bola, que é o mais importante.

5. Aquilo de que sinto mais falta é da competição ao domingo, dos jogos. O árbitro a mandar a moeda ao ar, escolher-se o campo, o apito do árbitro quando marcamos golo, um colega a ser expulso ou outro que se aleija. Se ganhamos é uma festa e se perdemos, parece que o mundo cai sobre nós. E sinto muita falta do balneário, do companheirismo, das brincadeiras. Sinto falta de tudo o que é o futebol. Mas neste momento, percebemos que há coisas muito mais importantes que um jogo de futebol.

6. Eu tenho muitas reticências e muitas dúvidas quanto à próxima época ao nível do futebol sénior distrital. Porque se não existir uma vacina entretanto, será complicado. Como é que vão colocar 25 pessoas a treinarem quatro vezes por semana, todas no mesmo balneário e a jogar futebol, que é um jogo de contacto físico? E depois, jogos aos domingos, com outras vinte pessoas, de cidades diferentes. Como é que vamos conseguir jogar sem que haja uma probabilidade enorme de alguém vir a ser contagiado? Adorava que tudo voltasse à normalidade e até já renovei para a próxima época. Mas tenho muitas reservas.

7. Quero deixar-lhes uma mensagem de força e de alento. Espero que não se vão abaixo. Claro que nos está a custar imenso a todos, mas não baixem a cabeça, porque isto vai passar. Que tentem dentro do possível, manter a forma e sobretudo que continuem a alimentar a paixão pelo desporto. Nós não podemos praticar, mas podemos ver jogos de outros campeonatos e de outras épocas. Agora temos tempo. O mais importante é manter a paixão e o que nos move no desporto. Não desistam.

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