SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Setembro 2020, 13:09

Isto transformou o quê? Vai ficar tudo bem onde?

Neste período de isolamento li e vi tanta coisa, tanta acusação, tanto vídeo, tanto texto que sinceramente dias houve em que pensei que tivesse acordado no mundo errado.Um dos maiores disparates, para mim, foi o célebre arco-íris e a frase “Vai ficar tudo bem”.

Isto parece uma espécie de pílula, assim daquelas que nos dão em miúdos na sopa, para acreditarmos que o papão foi embora.Ou então parece aquela célebre frase que nos diziam em garotos “Vá, não chores mais, já passou”.

Discordo totalmente desta pedagogia do arco-íris. Não era disto que precisávamos.Precisávamos, sim, de semear me-nos ódio e mais ternura.Mais empatia e mais compaixão.Quase diariamente lia acusações (muitas delas em grupos de cidades) em que até nomes as pessoas chamavam às outras. Nomes feios. E normalmente começavam as frases assim: “Hoje fui correr…” ou “Hoje fui fazer um passeio ao Jardim das….” e continuavam a frase acusando pessoas que lá estavam (possivelmente a correr ou a passear como elas). Também achei interessantes todas as acusações de pessoas que iam ao supermercado e se queixavam de que o mesmo estava cheio de gente. Gente que, como elas, fora simplesmente ao supermercado.Entretanto, agora, chovem críticas por causa das máscaras que serão de uso obrigatório em alguns lo-cais: “ah, deviam era ser gratuitas”; “pois, que roubalheira”.

Fantástico. Primeiro criticam, de-pois voltam a criticar.Mas então, e onde está o arco-íris que pintaram e penduraram na janela? Ou a frase “Vai ficar tudo bem” que escreveram nas vossas redes sociais? Hummmm… parece que se esqueceram.Outra coisa interessante: fazer comida em casa e pão.

A sério, só agora descobriram que confecionar a própria comida pode ser extremamente divertido, terapêutico e saudável?

E só agora descobriram que é possível fazer pão em casa? Assim como passar mais tempo em casa e com a família: mas afinal, não era bom antes do isolamento? Não era normal? Finalmente, a ideia maravilhosa que nos tentaram vender, de que este vírus nos vai tornar melhores pessoas, capazes de valorizar os pequenos detalhes da vida.

Antes do vírus, estes detalhes estavam sempre lá. E sempre foram os mais ricos e maravilhosos. Portanto, se foi preciso um vírus, estamos mesmo mal. Isto não foi nem um ataque, nem uma crítica. Foi só a opinião de alguém que existe e vive.

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