SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 17:17

Os Jovens e a Fé

A Igreja convida todos os fiéis a preparar o próximo Sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A preparação, a decorrer ao longo deste ano pastoral, tem em vista conhecer melhor a situação dos jovens na sua relação com a fé e com o sentido da vida como vocação. Todos notamos que esta idade está pouco interessada e arredada desta área. Nas Igrejas deixam os seus lugares vazios e quanto à vocação não se mostram muito motivados, designadamente em relação à vocação matrimonial ou ao sacerdócio ou à consagração. Serão menos sensíveis e menos abertos à fé? Terão menos capacidade para se en
tregarem a uma missão que os faça sair do seu comodismo e individualismo? O primeiro ano de preparação do Sínodo, ao colocar como programa o conhecimento mais realista da realidade juvenil, convida-nos, antes de mais, a evitar os frequentes pessimismos e incompreensões bem como as generalizações fáceis nos julgamentos sobre os jovens. Desafia-nos, por outro lado, a tomar consciência de que um passo indispensável para os aproximar à fé é escutá-los, pois a sua sensibilidade religiosa é muito diferente de há vinte anos atrás. Primeiro escutemo-los e depois falemos. Entretanto, vão sendo publicados alguns dados sobre a realidade religiosa dos jovens. Em Espanha, por exemplo, aná
lises realizadas mostram que apenas metade dos jovens se confessa católica. Mas, desta metade, apenas 11 por cento declara ir à Missa ao menos uma vez por mês. Ou seja, um em cada dez jovens católicos participa na missa mas sem a regularidade dominical. Porque este afastamento tão vasto? Os animadores da pastoral juvenil que os acompanham mais de perto, referem alguns obstáculos e dificuldades desta idade em relação à proposta da Igreja. De modo geral, a geração “selfie” não tem grande sentido comunitário, são muito individualistas. A acrescentar a esta dificuldade, sentem a Igreja muito distante da realidade deles, as pregações muito abstratas e distantes, as práticas e ritos sem interesse para a vida concreta.
“É tudo uma seca”, declaram facilmente. No entanto, o sentido religioso mantem-se, apesar da secularização em que estão envolvidos. A fé não faz parte da cultura pelo contrário é hostilizada tanto na escola, como nos grupos, como na comunicação social. Ser cristão torna-se uma decisão pessoal e não um dado cultural, não se recebe por herança familiar ou cultural mas descobre-se e vive-se pessoalmente. De facto, encontramos também muitos jovens que fazem a opção pele fé cristã e se sentem felizes e realizados por isso. Não podemos esperar receitas para os aproximar da fé mas precisamos de descobrir caminhos novos, rever processos e criar propostas diferentes. Já existem algumas com frutos provados. Ficam para uma próxima crónica.

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