SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 08:52

Escrever e ler em papel

Difunde-se hoje em dia uma forma nova de comunicar através das redes sociais. Possibilitam, de facto, mensagens curtas e abundantes. As novas tecnologias da era digital proporcionam-nos uma comunicação mais viva e atual que podemos trazer connosco no bolso e levar para toda a parte. É realmente maravilhoso. Mas não tira o lugar da escrita em papel. Esta continua a ser um meio de grande riqueza e potencialidade. A era digital não é alternativa mas complementar à era da escrita. Precisamos, portanto, de cultivar o gosto de ler e de escrever em papel. Ao ver o novo figurino de O Almonda confirmei esta convicção. Salta à vista o aumento dos colaboradores e a idade juvenil de muitos. Dá gosto ver o interesse e o cuidado com que redigem os textos. Um bom artigo escrito para publicar em jornal ou em livro é fruto do “suor da mente”. De facto, um texto escrito em papel permanece, tem consistência, fica registado. Por isso, exige pensar com atenção
e discernimento, aprofundar e organizar o pensamento, escolher as palavras apropriadas, acessíveis e interessantes, procurando novidade e evitando repetições e lugares comuns. Para chegar a um texto final que agrade precisamos, por vezes, de fazer várias redações. Dá trabalho mas é gratificante. Por isso, os escritores sentem que escrever bem é como gerar um filho e dar à luz. Da mesma forma que a escrita, também a leitura de um bom jornal ou de um bom livro é um exercício que dá gosto e enriquece. São como um bom amigo com quem se conversa agradavelmente e com quem se aprende. Ao ler analisamos, tracejamos o que nos parece importante, acrescentamos notas, interiorizamos. O que lemos escrito em papel e assimilamos entra a fazer parte da nossa bagagem de sabedoria. Depois, recordamos e partilhamos. Quantas vezes, mais tarde, vamos consultar e citar páginas anteriormente lidas? Por isso, a leitura não só informa e
entretém mas ilumina e alimenta o espírito. Em conclusão, apesar de muitas dificuldades, continua a haver espaço e necessidade para a comunicação escrita em papel, concretamente para O Almonda. Precisa, porém, de conquistar o seu próprio lugar pelo interesse, qualidade e variedade dos conteúdos, pela consistência da informação, pelo estímulo à narração bem elaborada, pelo apelo à reflexão crítica. Um bom jornal é uma escola de cultura, promove a escrita cuidada, favorece o diálogo e a capacidade crítica, cria memória, regista a história. O Almonda tem capacidade de concorrer e de se conjugar com os novos meios de comunicação da era digital e de valorizar o lugar que já alcançou. Tem um diretor que acredita no jornal, uma equipa motivada, um grupo notável de colaboradores zelosos, uma Gráfica de qualidade e empenhada. Precisamos de cativar leitores e assinantes. Assim teremos Almonda para outros centenários.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados