SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 10:14

Festas religiosas, um sinal da fé católica

Agosto é fértil em festas religiosas. As comunidades cristãs canalizam para este mês a festa anual dos padroeiros para aproveitarem a presença dos migrantes. Para os organizadores é importante a participação dos que vivem habitualmente fora, pois o seu contributo é uma boa ajuda para as despesas. Para os migrantes têm também um significado rico como reencontro com as raízes e integração na comunidade. Para muitos que andam longe, a festa constitui um dos momentos importantes das férias. Estes valores antropológicos, juntamente com o significado religioso, merecem que cuidemos da qualidade pastoral das festas dos padroeiros.

De facto, para além da dimensão exterior, não podemos deixar de realçar a dimensão espiritual destas festas populares que, por vezes, parece esquecida. Da organização do programa, fazem sempre parte a missa e a procissão. Os participantes, em geral, entendem e vivem estas celebrações como atos religiosos: Ao participar neles, assumem visivelmente a sua pertença à comunidade cristã, rezam, escutam, meditam, avivam a fé. As imagens dos santos que integram a procissão, as insígnias, o silêncio meditativo, acompanhado pelo som harmonioso da banda, o arranjo das ruas, das casas e dos andores, criam um ambiente solene aberto ao mistério. Parece que a existência adquire novos horizontes para além do quotidiano. Por isso, as festas religiosas são um sinal visível da fé católica e um momento de espiritualidade. Seria superficial ver nelas apenas folclore religioso. As pessoas, em geral, não assistem apenas exteriormente mas exteriorizam o que lhes vai no coração.

Nos últimos anos, dentro do espírito do Concílio Vaticano II, a Igreja Católica tem mostrado uma compreensão mais profunda da dimensão antropológica e adotado uma atitude pedagógica para com as expressões populares da fé. A fé precisa de se incarnar na vida e exprimir de forma humana pois somos pessoas e não anjos. Por isso, não apenas os momentos religiosos têm valor, mas também os culturais e recreativos como os conjuntos musicais, as danças e o convívio. As pessoas encontram-se com alegria, saem do seu individualismo, descem da sua importância e convivem de forma gratuita e descontraída, de igual para igual, sem diferenças nem distâncias. São valores humanos com dimensão cristã, têm abertura ao transcendente. Não podemos desconfiar das expressões exteriores mas ver nelas uma porta para a fé. As festas populares precisam de ser valorizadas e purificadas de desvios e aproveitamentos indevidos mas apoiadas nos seus valores humanizantes e evangelizadores.

Com esta atitude de acolhimento, de valorização e de purificação das festas religiosas populares, estamos a pôr em prática a recomendação do Papa Francisco para que a Igreja tenha as portas abertas para todos os seus filhos, numa atitude de compreensão e misericórdia, como casa de família e não como controladora de alfândega (cf EG 47).

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