SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:00

Coisas e cenas & cenas e coisas

Mais uma corrida, mais uma viagem… menina não paga mas também não anda!  Dou início a mais uma viagem entre Lisboa e Riachos… para variar já não é propriamente cedo e com alguma facilidade o meu pensamento voa para parte incerta (mas sem que isso afete a condução, note-se) e quando dou por mim estou a ler um dos muitos cartazes gigantes (um moopie – usando o estrangeirismo correspondente), que estão ao longo da auto-estrada: “A receita perfeita”. Por minutos estremeço e sinto-me ser invadida por um tsunami de pontos de vista e respetivos pontos de interrogação.  Hoje em dia, temos a veleidade de achar, e até mesmo de querer que tudo seja perfeito! E então nós mulheres, (serão tendências sexistas?! Ups)… Começamos logo pela nossa imagem exterior, do peso ao cabelo (cor e corte), passando pelas unhas e até mesmo pelas pestanas e como extensão natural de nós próprias temos os filhos, o marido ou companheiro, a casa, o carro e até mesmo o cão, gato ou periquito que igualmente têm de ser perfeitos! Mas… Todos nós sabemos que a perfeição ou melhor dizendo, o estado de perfeição é muito vago! O que para uns é ou está perfeito, para outros nem sequer está bem quanto mais… oh vida de adulto.  Ah pois é. Quando somos pequenos, o nosso desejo maior é termos 18 anos para podermos fazer tudo o que nos apetecer: tirarmos a carta, comprarmos uma casa, casarmos e termos filhos e agora que já temos 18 anos e mais qualquer coisinha, só queremos mesmo é voltar a ser criança para termos o tempo todo para nós, e com ele fazermos só o que nos der na real gana!  Mas a verdade é que é para lá que todos nós cami- nhamos. Não é à toa que o povo diz que duas vezes na vida somos crianças. Mau! Então e a criança que há em mim?! Não. Calma. Não estou grávida. Estou-me apenas a referir àquela criança que me faz gargalhar de forma sonora, de correr na praia de forma desajeitada, de contar uma boa anedota numa conversa de amigos, ou até mesmo em cima do palco… Ah, essa talvez se chame boa disposição, ou mesmo felicidade, ou até mesmo loucura. Será?! “É loucura, ouço dizer, mas bendita esta loucura de cantar e de sofrer…” E só é assim porque tudo isto existe, tudo isto é triste (mas vale muito a pena), TUDO ISTO são COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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