SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 15:01

Herman José, no Teatro Virgínia, fala a “O Almonda”

 

A boa disposição aliada ao seu incomparável humorismo, de mãos dadas com os muitos personagens que já encarnou, e tendo por base a música, são os componentes do recentemente estreado espectáculo de Herman José.

 

No sábado, dia 26 de Setembro, o artista apresentou em Torres Novas, “O homem dos sete instrumentos”, um espectáculo que subiu ao palco do Teatro Virgínia apenas pela segunda vez, e que contou com casa cheia.

 

À tarde, após um tempo de preparação para o espectáculo, à noite, Herman José esteve à conversa com O Almonda. O artista bem conhecido do público português mostrou-se igual a si mesmo em palco, ou como o público está habituado a vê-lo. De uma grande simplicidade, com um sorriso no rosto e uma manifesta boa disposição. As expectativas para esta digressão que está ainda no início, a sua carreira, o próprio espectáculo e os seus projectos serviram de mote a uma conversa descontraída.

 

Acerca deste espectáculo e do seu sucesso, Herman José disse que tudo depende do público e da sua “entrega” ao espectáculo. Numa alusão à faina das touradas, o artista disse que tudo dependia da investida do toiro, sendo que o público é, neste caso, o touro. Não estivéssemos nós no Ribatejo.

 

“Este formato de espectáculo tal qual está, foi estreado no último sábado. E excedeu todas as expectativas. Hoje, aqui em Torres Novas, é a segunda apresentação que já acontece com menos preocupação. O que não quer dizer que seja forçosamente bom, porque a preocupação dá-nos um tipo de adrenalina que nos ajuda muito. Estes espectáculos funcionam essencialmente como as touradas. O público é o touro e dependendo das reacções do touro, assim é a nossa faina. Quando nos entram públicos que coxeiam, que não se aguentam nas quatro patas e que não investem, a tourada nunca resulta, por muito bom que seja o toureiro. Estes espectáculos estão sempre dependentes do encantamento do público. O máximo que podemos fazer é tourear sempre o melhor possível.”

 

A digressão está ainda no início mas as expectativas de Herman, e a avaliar pelo espectáculo de estreia, são optimistas. “Este espectáculo implica um grande investimento na paixão. Tem muito mais a ver com a paixão do que propriamente com aquela questão profissional: «deixa lá ir ali ganhar um dinheirito». E, este trabalho ao vivo tem uma característica muito importante. Eu comecei como músico, há precisamente quarenta anos. A minha vida profissional começa, com uma viola baixo, e a partir daí começo a conhecer pessoas e começam-se a abrir portas. A minha carreira começa portanto com a música. Comecei por ser músico profissional e era um músico profissional bastante decente. O engraçado neste espectáculo é que tantos anos volvidos, começo agora a fechar o círculo. Eu volto à música e aos instrumentos para servir o humorista. Funciona quase como massa de ligação ao meu espectáculo e dá-lhe uma vertente artística que me distancia um bocadinho dos meus colegas do mundo inteiro. Não conhece muitos humoristas que estejam duas horas em palco a tocar os seus próprios instrumentos. E depois, é um desafio. O segredo para não envelhecer é estarmos sempre com desafios diferentes e ter a noção de que nos falta aprender tudo e resolver tudo.”

 

Este é um espectáculo diferente e quem assistiu pode comprovar isso mesmo. E o mais curioso, é o facto de, tal como explica o próprio Herman José, um espectáculo nunca é igual ao outro. “Eu recuperei a minha lógica de espectáculo com o Quarteto e a Orquestra de Pedro Duarte. O que eu comecei a achar insuportável era trabalhar com música gravada, algo que considero pré-histórico. Enquanto que nesta digressão a solo, as pessoas saem do espectáculo com a sensação de que viram qualquer coisa de artístico. Neste espectáculo uso a música ao serviço do humor. A base do espectáculo é a minha vida e a minha carreira. Tenho tantos personagens, tanta experiência para contar às pessoas, que o ponto de partida para o espectáculo são o meu passado, o princípio da minha carreira, os bonecos que fiz, as minhas angústias.”

 

Célia Ramos

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