SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 19:08

Casa Espanhol quase há 100 anos em Torres Novas

A Casa Espanhol, há quase cinco décadas, na rua Carlos Reis, número 17 é provavelmente o estabelecimento comercial mais antigo de Torres Novas. Depois de se ter começado junto ao antigo mercado do peixe, tem as portas abertas há cerca de 100 anos. João José Lopes e Manuel Joaquim Lopes herdaram de seu pai, José Lopez aquela que viria a chamar-se Casa Espanhol, nome que vem da nacionalidade espanhola do pai.

“Tinha onze anos quando tomei conta da loja do meu pai, por debaixo do Teatro Virgínia, junto ao mercado do peixe. Pensava eu que já sabia tudo, mas ainda tinha muito para aprender. Comecei no dia a seguir ao meu pai morrer. Eu disse à a minha mãe que ia abrir a loja do meu pai, e assim o fiz”, recorda João José Lopes.

“Na altura o meu pai vendia peneiras e crivos, para peneirar a farinha e limpar o grão ou o feijão, e fazia amolações, afiava tesouras e facas. Eu tinha muita força de vontade. Foi assim que consegui continuar com o negócio. Eu que pensava que sabia tudo. Aprendi à minha custa!” Afirma o comerciante, hoje com 83 anos de idade.

“O meu pai marcou-me muito. Era um bom homem e um bom pai. As pessoas diziam que ele tinha mãos de prata. Era muito habilidoso na sua profissão!”

“Tenho histórias engraçadas dessa altura. Certo dia apareceu um Comandante da Escola Prática de Cavalaria para mandar afiar uma navalha de barba. Ora eu, com a pouca ou quase nenhuma experiência que tinha, quando acabei de lhe afiar a navalha, ficou em metade do tamanho. Quando o homem voltou para vir buscar a navalha, eu escondi-me debaixo do balcão e teve de ser a minha mãe a fazer um choradinho para o comandante perdoar o meu feito”, contou com graça. Aprendeu às suas custas uma arte que hoje desempenha com gosto e orgulho.

“Em alguns dias da semana, vinha cá a casa um espanhol amigo do meu pai para nos ajudar com os trabalho e ensinar-nos alguma coisa, mas de resto fui aprendendo por mim. Via como é que os outros faziam e assim aprendia”.

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