SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 22:13

«Os próximos dez anos vão ser muito difíceis para Portugal»

João Sarmento suspendeu o lugar de vereador eleito pelo PSD na Câmara de Torres Novas há alguns meses, na mesma altura em que resolveu iniciar atividade empresarial em Moçambique. Hoje tem na JS Construções, empresa que criou no país africano, a maior parte do seu trabalho, enquanto que a Pé-de-Cão Construções desenvolve essencialmente atividade de apoio à empresa no estrangeiro.

A primeira vez que sentiu necessidade de pensar em novos horizontes, confessou João Sarmento a “O Almonda” foi há oito anos e meio, quando Sócrates assumiu a «condução do país», relacionou o empresário. Já então sentia que o país vivia acima das suas possibilidades e não augurava nada de bom para o futuro. Quem de perto conviveu com ele sabe que esse foi sempre o seu discurso e já então vaticinava que quando acabassem os fundos comunitários iríamos «entrar em recessão». Eram esses os sinais que lia da sociedade e, como avisou, viriam a comprovar-se.

Há quatro anos iniciou o investimento em Moçambique no ramo da construção civil e nos dois primeiros anos, recorda, não faturou «nada». Nessa altura o mercado ainda estava parado e na Beira, onde exerce a maior parte da atividade, estava ainda mais. Por causa da extração de carvão mineral na zona de Téte o mercado agitou-se e ganhou novo fôlego, permitindo que a empresa prosperasse. Essa extração, explica, dinamizou não só a Beira como todo o país.

João Sarmento não foi “às escuras” para Moçambique, já lá se encontrava o pai, a trabalhar no mesmo ramo, e pode-se recuar até 100 anos para encontrar familiares a trabalhar naquele país. Havia por isso algum conhecimento do território e das gentes. Conta o empresário que sempre na história daquele país quem “xovava” – expressão local que significa “empreende” –  foi a zona de Sofala (assim apelidada por Vasco da Gama porque as gentes locais era muito faladora). Foi para lá que foi montar a empresa, auxiliado pelo conhecimento do pai que conhece a região há 58 anos, havendo que descontar o tempo da guerra civil, que durou 18 anos.

Em Moçambique começou a prosperar porque levou daqui a convicção e vontade de fazer lá o mesmo que fazia cá. Ou seja, apostou em trabalhar da mesma forma e a empregar a mesma tecnologia que cá empregava, coisa que a maioria dos empresários é avessa a fazer por causa do risco de investimento. Por lá, conta, quase toda a gente trabalha ainda de forma artesanal, mas com a JS Construções e a forma de trabalhar nova para o mercado local começou a ganhar concursos e a firmar o nome da empresa. Desde que criou a empresa já investiu dois milhões de euros em equipamento. Tem consigo dois mecânicos que cuidam das máquinas, um português e outro moçambicano, e encomenda as peças de Portugal. Da terra lusa levou também alguns trabalhadores, 10 no total, que trabalham em conjunto com 200 moçambicanos. Conta no próximo mês levar mais quatro portugueses. Aos seus funcionários moçambicanos exige bilhete de identidade (coisa que a maior parte dos moçambicanos ainda não tem) e desconta para a segurança social – o que também não é muito comum naquelas paragens.

LML

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