SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 11:11

A propósito do Dia Internacional da Mulher conversámos com a Dr.ª Ana Marta

“Sou impulsiva e defensora de causas. Quando abraço uma causa, levo-a até ao fim”

Na proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo dia 8 de março, O Almonda esteve à conversa com a conhecida médica de clínica geral, dr.ª Ana Marta Mendes que aceitou falar acerca da sua meninice, da sua vinda para Torres Novas e da experiência enquanto profissional, numa proximidade muito grande com os seus doentes.

“Não tenho amigos de infância”, afirma a dr.ª Ana Marta quando recorda a sua meninice atribulada e com a casa às costas. Natural de Sé Nova, Coimbra, “o meu pai era médico militar, e a família tinha de andar atrás dele. Fiz a primeira classe e metade da segunda em Lisboa; a outra metade da segunda classe e metade da terceira, foram feitas na Ilha Terceira, nos Açores e o que resta do ensino básico foi feito em Torres Novas”. O Ensino Secundário foi dividido por Luanda, Lisboa e Moçambique, tendo sido terminado em Lisboa.

O primeiro contato com as “limitações da mulher” aconteceu na altura de escolher a sua profissão.

“Queria muito ser Juíza. Tinha um respeito muito grande pela figura do Juiz. Ao contrário de hoje, que me sinto completamente desacreditada em relação à justiça. Queria por essa razão seguir Direito. Fiquei muito desapontada quando o meu pai me disse que em Portugal, as mulheres não podiam exercer essa profissão. Se não podia ser Juíza, queria ser médica, que era a minha segunda escolha.”

A jovem que foi miss escola dois anos seguidos e foi modelo, recorda com alguma nostalgia o tempo em que trabalhou na rádio.

“Pertenci à Mocidade Portuguesa. Todos tínhamos de pertencer. No liceu Salazar, em Lourenço Marques, hoje Maputo, eu e um colega tínhamos uma estação de rádio, muito bem equipada e fazíamos um programa de rádio em direto onde passávamos umas músicas e pediam-nos alguns discos. Foi durante dois anos.”

Em 1972 entra na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde completa a licenciatura em Medicina no ano de 1978.

Vem de Lisboa para Torres Novas, jovem recém licenciada, divorciada e com uma crianças de dois anos nos braços. Vem à procura de estabilidade e à procura de apoio na família aqui residente.

“E cá fiquei! Já me considero uma torrejana”, diz entre risos.

Célia Ramos

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados