SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:13

Vender à Moda Antiga

 

      

Com Outubro a nascer, ainda se ouve o pranto do sol a desejar   um mergulho no mar ao rapaz que se arrasta na avenida numa manhã sonolenta, para mais um dia de aulas. Chuta as folhas secas, praguejando.

           

O tempo mudou, o clima alterou-se e o velho coça os pensamentos com o dedo indicador. A sua casa transborda de calor e ele senta-se pachorrento no banco do jardim a contemplar o vazio das horas mortas.

           

Mas a vida é uma corrida louca, sacos e sacos empilhados em carrinhos de compras. Mulheres apressadas levam seus filhos acorrentados a um hipermercado onde tem de tudo. A criança sacode-se de desespero, porque lhe apetecia andar pelo campo, ajudando o seu avô nas tarefas simples como apanhar uma cenoura, ou uma alface.

           

Na aldeia dos seus avós, ainda se vê os vendedores de frutas, de doçaria, de pão. E na grande cidade onde estarão esses vendedores?

Será que isso é um sonho de menino?

           

Felizmente, e apesar de encontrarmos grandes superfícies comerciais em que os alimentos vivem sob a luz eléctrica, sob o gelo pardacento, ainda se encontra muitos vendedores de porta em porta. Vejamos Lisboa, um exemplo de urbanismo citadino e bairros populares. Aí encontrará o chamado comércio tradicional, com as melancias vaidosas a namorarem os melões espigados. Todos vistosos e com ar de quem foi colhido no dia anterior. E muitos cidadãos preferem gastar aí o seu dinheiro.

           

Por exemplo aqui onde moro, um bairro pequeno, temos sempre a peixeira que traz a sardinha fresquinha da Nazaré: o pão caseiro de Mira de Aire; o homem dos gelados; o Sr. Rafael Felicíssimo com os seus produtos de excelência. Este homem nascido no Bairro, perto de Fátima, dedica-se á venda de frutas e legumes há 20 anos, desde que trocou a Renova por esta profissão. Disse-me hoje, que até perdeu dinheiro, mas vi nele a satisfação de gostar do que faz.

           

Vive no Pedrógão e continua a presentear os seus clientes com umas pecinhas de fruta. Dá o que pode e as pessoas ficam satisfeitas com a sua generosidade.

           

Por isso resta-me dizer-vos que sempre que possam comprem no comércio tradicional, porque nem tudo o que é a preço da chuva, é bom!

 

aguianegraenator@gmail.com

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