SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 10:02

Entrevista a Hugo Santos

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Quando conversamos com Hugo Santos percebemos rapidamente que é escritor a “sério”. Dedica-se de alma e coração às letras, condicionando a sua vida em função da escrita. Gosta de ir de manhã para o café, onde se senta e escrevinha no seu caderno de apontamentos. Foi assim que já nasceram quase 50 livros da sua lavra.

O Almonda – Qualquer leitura é leitura…

Hugo Santos – Eu também li livros de banda desenhada. Ler, seja o que for, é sempre importante. Mas com os anos há uma maturação e passei a ler livros de escritores de nomeada, daqueles que hoje em dia se raramente ouve falar. As edições destes autores, e são bons autores, raramente atingem os valores de autores que, por razões várias (apoiados pelos nomes das empresas onde trabalham) têm uma tiragem que, na maior parte das vezes, ao valor das obras editadas. Penso que nisso a televisão tenha um peso extraordinário, pois um terá mais atenção dos media que os outros.

«Uma coisa cruel, os professores não compram livros»

H.S. – Tenho andado por todo o país por causa da apresentação do meu novo livro. Comecei a notar que a maior parte dos professores não compram livros. No meu tempo, quando um escritor visitava a escola, nem que fosse por uma questão de solidariedade havia o hábito de comprar. A quantidade de pais que hoje em dia compra livros é infinitamente menor. É triste verificar que os professores não lêem. E não o farão porque não têm tempo, porque o livro não agrada, porque não serve para as aulas ou até porque não têm condições financeiras que lhes permita comprar.

Um livro é um bem de luxo?

H.S. – Os livros são tanto mais caros quanto as editoras são pequenas. Eu, quando dava aulas, dizia sempre aos meus alunos, “a cultura é uma arma de arremesso e de defesa”. Uma pessoa culta sabe quando o querem enganar e estará mais preparado para se defender. Não só a literatura, como todas as artes, são armas que nos permitem entender a sociedade.

Sente-se um autor ignorado?

H.S. – Não gosto de ser visto como um fulano que se queixa e estamos numa sociedade de mercado. Repare-se que todos os pivots de TV têm publicado com êxito de vendas e isso acontece porque têm acesso a uma grande exposição, são muito divulgados pelos grandes meios de comunicação.

Luís Lopes

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