SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 07:12

A conquista do poder de voto

 

As eleições presidenciais de 2011 foram marcadas não só pela maioria votante que re-elegeu Cavaco Silva, mas foram marcadas também pela maioria que se absteve de votar. Com mais umas eleições a aproximarem-se, desta vez para a Assembleia da República, o ano de 2011 já está marcado inevitavelmente pelas eleições com um maior nível de abstenção (53%). Desde o “voto livre”, obtido com a revolução de 1974, que nunca se atingiram resultados tão elevados de abstenção, apresentando um país com uma democracia, em que mais de metade das pessoas não vota. Sendo que a democracia perdeu cerca de 10% de votantes na última década, também o número de votos brancos/nulos não parou de aumentar, passando de valores inferiores a 1% para cerca de 4%. 37 anos depois da revolução pela liberdade, quais são os novos significados do abstencionismo e do voto em branco?

 

A capa d’O Almonda de 24 de Abril de 1975 era constituída quase na totalidade pelo “Guia Prático do Eleitor”. Vivia-se uma altura em que a principal preocupação do jornal era garantir o conhecimento do processo de voto à população. Não saber como votar diz muito sobre o período que se viveu e não é por acaso que em Torres Novas todos os anos se organiza um almoço comemorativo da revolução e a adesão se mantém constantemente perto da centena de pessoas. Celebra-se não só o poder de voto, mas todos os direitos que se ganharam com a revolução. Nesse mesmo número do jornal, o Movimento das Forças Armadas (MFA) transmitia ao povo a mensagem de que “votar é colaborar” e “não votar é trair o povo”. Com a democracia recentemente instalada no país, o voto do povo surgia como a garantia da aprovação desse sistema político. Acrescentavam então que “o voto em branco tem tanto valor como o voto em qualquer partido, desde que qualquer das atitudes seja feita em plena consciência”. Hoje, com uma população já maioritariamente abstencionista, estará a democracia em crise?

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados