SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:49

“A Bela Adormecida” acordou no Teatro Virgínia

 

Escrito e encenado por Tiago Rodrigues, o espectáculo “A Bela Adormecida” marcou presença no Teatro Virgínia na noite de Sábado, 26 de Março. Originalmente escrito por Charles Perrault, em 1697, a peça apresentada no Teatro Virgínia foi adaptada para uma versão contemporânea deste clássico. Os espectadores viram uma bela princesa a ser enfeitiçada e a dormir por muitos anos, mas, ao contrário da versão clássica, a bela princesa envelheceu e acordou já velha, quando beijada pelo príncipe. A fada convence o príncipe a acordá-la, mas ele questiona-se como reagirá a bela adormecida (e todos os que adormeceram com ela), quando descobrir que adormeceu jovem e acordou já velha, passando por uma vida que não viveu. Esta é a ironia que marca o espectáculo, pois são idosos que o interpretam. Pessoas, já “velhas”, que se recusam a parar e “adormecer”.

Uma das bailarinas, que dançou de forma profissional até aos 40 anos, altura em que normalmente acaba a carreira nos palcos para estes artistas afirma que “tive de fazer a mim própria a pergunta que já tinha feito aos 15 anos – O que quero fazer quando for grande?”. Continuando por muitos anos ligada à vida artística, embora trabalhando nos bastidores dos espectáculos, confessa que “é o palco” que chama por ela. Apostando na formação, acabou por ser seleccionada para um conjunto de workshops com pessoas “de idade maior”. Este conjunto de workshops culminou com a formação da Companhia Maior. Que a bailarina tenha conhecimento, esta é a única companhia profissional em Portugal que integra quase exclusivamente pessoas com mais de 60 anos. Na digressão que realizaram ao longo do país (Porto, Bragança, Açores, entre outros), foi em Portimão que conheceram um “Grupo Sénior” de amadores, que consideram ter “muita qualidade”. A Companhia Maior lança o desafio de criar um projecto semelhante em Torres Novas, que mantenha os idosos activos. Considerando que “as oportunidades vão estreitando” conforme se vai envelhecendo, afirmam que gostavam de ver mais investimento e formação para os idosos, não só na cultura como na introdução às novas tecnologias.

 

João Rodrigues

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