SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 19:36

A memória sonora de Torres Novas

 

Carlos Nicolau diz com orgulho que é «nascido e criado em Torres Novas», lugar onde viveu também toda a sua vida, com excepção do tempo de serviço militar que cumpriu no Porto, Lisboa e Tomar. Nasceu em 1947 e desde sempre que teve uma paixão pela música desde que viu o seu pai a «dar uns toques» no bandolim.

 

Quem já assistiu aos concertos do Choral Phydellius já terá reparado num senhor que se encontra sempre presente a efectuar a gravação de cada actuação. Carlos Nicolau é quem se dedica com paixão a esse trabalho, tendo já efectuado gravações por mais de cinquenta anos, merecendo a referência de ser a memória sonora de Torres Novas.

 

Pertenceu aos “Kalyfas”, um conjunto de música de baile que existiu ao mesmo tempo que o “Niger”, outro conjunto que animava os bailes de Torres Novas. O interesse pela qualidade do som surgiu quando se ligou aos “Kalyfas” até ao ano de 1965, quando foi para a tropa. Acompanhou também os “Gringos” efectuando o controlo de som e ajudou em algumas gravações. Em paralelo com a actividade no conjunto participou no Coral de Torres Novas, que tinha por maestro Adelino Vieira Santos. Este grupo coral coexistiu no tempo com o Choral Phydellius. O “Coral de Torres Novas” surgiu porque as raparigas da cidade também queriam cantar em coro e na época por divergências não o podiam fazer no Phydellius.

 

O gosto pelas gravações

 

Carlos Nicolau começou a fazer gravações das actuações do Choral Phydllius. O maestro, Fernando Cardoso e Gualter Pedro tinham material para que se pudesse fazer gravações e ainda de forma rudimentar conseguiu captar o som. Essa primeira gravação já não a tem, entregou-a ao Phydellius.

 

«Todas as pessoas têm um dom. O criador deu-me esse dom e o “bichinho” de andar a experimentar», explicou-nos Carlos Nicolau. Autodidacta na “arte do som” foi aprendendo com a experiência e lendo sobre o assunto. A maior parte das suas gravações foram feitas «por intuição». O resultado é «curioso», contou-nos e justificou, «pessoas conhecedoras do assunto têm elogiado o resultado final dos trabalhos», destacando a forma como conseguiu contornar os obstáculos técnicos que a tarefa colocava.

 

Um espólio considerável

 

Terá começado a gravar em 1958 ou 59, não se recorda bem. E desde essa altura apenas interrompeu as gravações no tempo em que esteve na tropa. E mesmo nessa altura ainda conseguiu efectuar algumas. Hoje em dia tem um espólio de gravações de 52 anos, embora não tenha registo de todas as gravações. Algumas estão em poder de elementos do coro e outras foram cedidas aos Choral Phydellius.

 

Luís Miguel Lopes

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