SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 08:04

Choral Phydellius encheu Igreja do Carmo

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O já tradicional concerto de Reis do Choral Phydellius estava marcado para as 21:30 horas e quem quem se convenceu de que seria suficiente chegar dez minutos antes do concerto, à boa moda portuguesa, teve sérias dificuldades em estacionar próximo da Igreja do Carmo e em encontrar um lugar para se sentar a assistir ao concerto. A Igreja esteve repleta e inclusivamente foram improvisados alguns assentos em degraus, ficando muita gente em pé, desde o interior até à entrada. No entanto, não se ouviram queixas, antes pelo contrário, muitos foram os que afirmaram que valeu a pena assistir a este belíssimo concerto muito aplaudido e onde não se deu pelo tempo passar.

 

O presidente do Choral Phydellius, Júlio Clérigo, deu as boas vindas ao público e referindo-se à ocasião, a evocação do Dia de Reis, explicou que tal como os Reis Magos, que acorreram a Belém  visitar o menino com presentes, o Choral Phydellius quis presentear Torres Novas com música, a melhor oferta que poderiam fazer. Aproveitou também o momento para expressar votos de felicidade para o Novo Ano.

 

Abriu a noite o Coro Juvenil do Choral Phydellius sob a direcção do maestro João Branco acompanhados ao piano pela professora Valentina Ene. Os jovens encantaram o público com um reportório inovador e uma doce sonoridade. Brilhantemente acompanhados sempre ao piano, faltou sentir a singularidade das suas vozes. Interpretaram cinco peças, nomeadamente “Gitika” de Charles Beale, “Kyrie e Gloria”, da “Little Jazz Mass” de Bob Chilcot, “Dirait-On” do americano Mortem Laudidsen e, finalmente, um arranjo surpreendente do popular “Jingle Bells” de James Pierpont.

 

Seguiram-se alguns momentos instrumentais, com a participação de alunos e professores do conservatório de música do Choral Phydellius, o Quarteto Phydellius, uma composição de  talentosos jovens músicos, alunos do conservatório, que encantaram o público com  as peças “Pizzicato Polca” de Léo Delibes e “Por una Cabeza” de Carlos Gardel ao violino, clarinete e violoncelo.  De seguida, actuou a Camerata Phydellius, constituída por 19 pequenos instrumentistas, também alunos do conservatório que em conjunto com o professor Miguel Gomes presentearam o público com uma peça tradicional de Natal “Holiday Hoedown”.

 

Os professores Luís Carreira e Rudolfo Freitas inovaram com o seu “Duo for Flugelhorn and Marimba”, que é o mesmo que dizer “ Duo para Fliscorne e Marimba”, nome da peça e dos dois instrumentos menos conhecidos que tiveram aqui a primeira oportunidade de se estrearem.

 

Por fim foi a vez do Choral Phydellius ser o centro das atenções. O Maestro João Branco conduziu as vozes do coro adulto, fazendo o público percorrer diferentes ritmos, de origens latinas, anglo-saxónicas , eslavo e ainda um já conhecido espiritual negro. Notou-se a ausência de alguma peça musical que estivesse umbilicalmente ligada ao dia festivo, como em surdina alguns comentaram. Não significa isto que o espectáculo desiludisse. Houve até, exultantes “bravos” vindos de quem já conduziu o Choral, dando assim aprovação à brilhante actuação. José Robert, que assistia ao concerto, estava visivelmente emocionado, vibrando com a actuação. A prestação do Choral teve um início calmo ao som da peça “In the Bleak Midwinter” de Christina Rosetti e Gustav H. Cranham, seguiu-se “Ave Verum Corpus” de Camille Saint Saens.  Na terceira peça, “Hymne à la Nuit, o jovem Rui Antunes assumiu a regência pela primeira vez, estreando-se perante público torrejano, merecendo entusiasmados aplausos. Logo depois, ouviu-se uma música de Natal “Carol of the Bells”, de Leontovich. O tema “Confusa Perdida” do compositor português, Lopes Graça, foi dirigido por outro jovem e promissor aspirante a maestro, Tiago Amado, que apesar do nervosismo criou grande empatia com o coro, conseguindo uma actuação auspiciosa, merecendo generosos aplausos.

 

O maestro João Branco retomou a regência para as  últimas peças do programa, “Dormi, Menino, Dormi” de Lopes Graça, “Soon, Ah Will be Done”, de William Dawson, “Ó Meu Menino”, de Eurico Carrapatoso e “Vospoite Jemu” de Marko Tajcevic, uma estreia que impressionou pela sua monumentalidade.

 

Como é tradição, a noite terminou em alto com a actuação em conjunto dos dois coros interpretando o tema “Alleluia” de Douglas Brenchley. A intensidade sonora preencheu a Igreja do Carmo e o momento sublinhou mais um excelente concerto do Choral Phydellius.

 

Célia Ramos e Luís Lopes

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