SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 13:03

O que mudou, a Feira Quinhentista, no trabalho dos artesãos torrejanos?

 

A cerca de seis meses para a próxima edição da Feira Quinhentista, o jornal “O Almonda” falou com alguns artesãos locais para descobrir se os seus hábitos de trabalho teriam mudado para uma perspectiva comercial orientada para este evento. Dos contactados, apenas um artesão revelou a mudança de hábito.

 

“O ano passado (na Feira Quinhentista) esgotei todos os artigos medievais que tinha disponíveis”, conta-nos Manuel Lopes, ou Sr. Damas, como é conhecido em Torres Novas. É por essa razão que actualmente, meses antes do evento, já se encontra a trabalhar quase exclusivamente em produtos que aí pretende vender, excluindo uma ou outra venda pontual que vai registando. “Tenho escudos, espadas, gládios, massas, catapultas…” aponta enquanto explica que o negócio se encontra bastante mal. A crise, acompanhada pelo seu interesse em assuntos e produtos medievais, foram razões suficientes para agora dedicar grande parte do seu tempo a um evento ainda tão longe de se concretizar, com a perspectiva de aí encontrar um maior retorno monetário.

 

A queixa de poucas vendas é comum aos restantes artesãos. Embora os restantes contactados já se dedicassem a trabalhar quase exclusivamente em produtos passíveis de serem vendidos na feira, como artigos em pele, ferro ou barro, queixam-se igualmente da falta de procura de produtos artesanais. Paulo Marques, artesão local  e frequentador habitual de feiras medievais ao longo do país, abriu um espaço no mês de Dezembro na Rua Serpa Pinto exclusivamente para a quadra do Natal e, ainda assim, diz não ter vendido praticamente nada até ao momento que prestou estas  declarações ao jornal. Aponta que hoje as pessoas compram “produtos mais baratos, mas de pouca qualidade”. Deste modo, o artista faz a distinção entre artesãos e vendedores, pois enquanto os primeiros vendem produtos muitas vezes fabricados pelos próprios com as mesmas ferramentas de há séculos atrás, os vendedores disponibilizam “produtos que muitas vezes nem sequer são de artesanato”.

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