SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 04:05

25 de Novembro – Dia para a Eliminação da Violência Doméstica

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A Maria (vamos chamar-lhe assim), ainda não tem 30 anos, mas para trás já tem um passado negro marcado pela violência, abuso e maus-tratos. O sofrimento está-lhe estampado no rosto e as lágrimas surgem a cada recordação narrada.

 

“Os meus pais nunca gostaram dele, mas para mim a sua opinião de nada valia. Era uma menina rebelde que sabia bem o que queria, e ele, era tudo o que eu podia desejar. Namorámos um ano e tudo corria bem. Ele era o capitão da equipa do desporto da escola, era bem visto e sociável. Nada lhe tinha a apontar. Quando fiz o 12.º ano, e os 18 anos, decidimos casar. E o primeiro ano de casamento foi fantástico”, recorda Maria.

 

Um casamento sem festas, nem tão pouco com a presença dos pais e familiares do casal. Um casamento feito no registo civil, numa hora apressada e com a maturidade própria de quem tem 18 anos e está apaixonada.

 

Mas o conto de fadas durou pouco, e ainda não tinham dado as 12 badaladas de um ano de casamento, já o encantamento havia desaparecido.

 

“Desculpa… não volta a acontecer”

 

“Desculpa, não estava em mim. Eu amo-te”, é a frase que se segue à primeira bofetada. E depois… vem a segunda, a terceira… e somam-se sete anos de maus-tratos.

 

“Na altura vivia no estrangeiro e depois de casar e sair de casa dos meus pais, assim continuei fora do meu país. Ao fim de um ano, o meu, actualmente ex-marido, deixou de trabalhar, ficando apenas eu encarregue do sustento da casa. Ele preferiu seguir por caminhos mais fáceis ligados ao álcool e à droga. Quase sempre bêbedo, era raro o dia que não me batesse.”

 

Assim que Maria trazia para casa o único ordenado fixo e existente, era-lhe imediatamente tirado pelo então marido.

 

“E as discussões tinham mesmo de existir, porque o dinheiro era necessário para pagar a renda da casa e para as necessidades básicas, mas em resposta apenas levava mais porrada. A princípio recorri aos meus pais que me ajudavam a pagar a renda. Mas, ao fim de certa altura o meu pai fez-me um ultimato, ou deixas o teu marido, ou não te ajudamos mais. E, eu, cega de todo, pensando que era apenas uma fase má, mas que juntos a ultrapassaríamos, troquei o apoio da família por um amor que já não existia, por maus tratos diários”, recorda com as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto.

 

Foram sete dias de maus-tratos até ao dia em que foi levada para o hospital com três costelas partidas. Foi o próprio hospital que contactou a família que de imediato tomou medidas no sentido de dar início ao processo de divórcio e enquanto este decorria, refugiaram a Maria em Portugal.

 

Célia Ramos

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