SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 09:38

Viagem pelo nosso artesanato

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“Divirto-me muito a fazer as minhas peças”

 

Todos anseiam pela idade da reforma para descansar e viver aquilo que ainda não se viveu. Para alguns parte do dia é passado nos bancos de jardim ou das pequenas pracetas no centro das aldeias, em amena cavaqueira.

 

Outros há que se dedicam à “missão Avô” a tempo inteiro, e ainda existem os que descobrem talentos que desconheciam.

Manuel Damas Lopes é reformado da função pública desde há 26 anos. Desempenhava as funções de desenhador gráfico.

 

“Fazia cartazes, maquetas luminosas, ou para a construção civil. Cheguei a fazer cartazes para o Circo Chen. O logotipo que eles usam fui eu que o fiz, assim como o do Cardinali. Trabalhei muito com logotipos. E também o do CRIT é da minha autoria”, recorda Manuel Damas.

Certo dia desafiaram-no a estrear-se no artesanato, talvez porque já se tivesse observado alguma vocação e habilidade.

 

Ao entrar no seu atelier, o olhar perde-se, entre as pinturas nas paredes, um ramo de figueira com vistosos figos, o castelo de Torres Novas na parece lateral entre outras. Ao fundo o cantinho das matérias primas, mais à frentes as serras e as lixadeiras entre outros instrumentos e por fim a bancada de trabalho, onde se misturam moldes com peças por acabar, tintas e pincéis. E eu, encontrei este avô babado a pintar peixinhos para um dos netos. Na parede, uma fotografia da neta mais velha e numa outra bancada ainda as peças por ele feitas aquando da participação na feira quinhentista. No chão já estão as caixas que guardam as peças bem protegidas para partir para a próxima feira.

 

É fácil de identificar este artesão nas feiras. Não há criança que resista não tocar nas suas gaivotas penduradas no tecto que ao toque, logo se elevam e descem mexendo as asas, como se a voar de verdade estivessem.

São várias as áreas em que Manuel Damas se sente perfeitamente à vontade e dando largas à imaginação, faz nascer de um pedaço de madeira, um brinquedo, à moda antiga, ou um presépio ou peças únicas e bem mais complexas como é o caso da pega de forcados. Todos enfileirados de caras para o touro que tem ar de poucos amigos.

 

“Aqui não entram computadores, é o lápis e o papel que fazem o primeiro esboço.

Gosto de manusear os materiais com que trabalho. Tanto faço trabalho mais abonecado, como é o caso da história do velho, do miúdo e do burro, Como faço mais estilizado e mais aproximado da realidade, as imagens dos santos, muitas feitas por encomenda são exemplo disso”, diz o artesão que tem já uma colecção demasiado diversificada para saber números certos, mas que andará por volta de cem peças diferentes. São as representações das mais diversas personagens do Ribatejo, assim como as variadas profissões. As famosas andorinhas e até bonecos articulados que dançam o fandango, sem deixar de fora a muito procurada guitarra portuguesa.

 

Célia Ramos

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