SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 07:46

Portugal acolheu o peregrino Bento XVI

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Ainda o avião que transportou o Papa para Portugal, para uma visita de quatro dias, ia no ar e Bento XVI já estava a fazer história, quando disse sentir-se aterrorizado por verificar que nos últimos tempos tem sido a própria Igreja que tem atentado contra ela própria. Terá sido um ponto de viragem fundamental para que muitos olhassem para o seu “novo” Papa como alguém capaz de lidar com a mais dura das provas. Terá sido o início de uma reconciliação com Bento XVI para muitos.

 

Reconciliação

 

“Reconciliação” – Esta terá sido a palavra-chave de toda a visita. A reconciliação entre o Santo Padre e o povo católico. Não mais se ouviu alguma contestação e o entusiasmo de tantos terá silenciado os seus objectores. Por sua vez Bento XVI aparentou ter ficado tão encantado com a recepção de que foi alvo que correspondeu, chegando até a quebrar o protocolo para chegar mais perto das pessoas, proporcionando momentos que ficarão na memória de todos os que comungaram com a visita. Por outro lado havia muitos, mesmo entre os católicos, que se sentiriam insatisfeitos pela forma como a Igreja vinha lidando com algumas revelações de práticas condenáveis, nomeadamente no caso da pedofilia. Ao verificar que o Santo Padre decidira abordar o problema de maneira diferente, deixando-se de ouvir que haveria uma contestação apenas mediática, as pessoas terão começado a ver Bento XVI como um Papa corajoso e capaz de lidar com os «Pecados internos da Igreja». Um Papa que reconheceu que «a maior perseguição à Igreja» não vem de «inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja». Com essas declarações, porventura mais mediatizadas, foi dado o primeiro passo para a reconciliação.

 

A multidão

 

Dizem as estatísticas que Portugal é maioritariamente católico. Outros contestam a maneira como essa aferição é feita, pois são os registos de baptismo que contam para essa contabilidade. Mas as massas populares que se viram em todos os locais por onde o Papa passou não são apenas registos. Eram pessoas que marcaram presença e que quiseram dizer “Estou contigo”, reconhecendo o Papa como o seu Pastor.

 

Bento XVI, nos quatro dias que esteve em Portugal, terá sentido na primeira pessoa a força de um povo que o aclamou. É certo que houve muitos estrangeiros que também quiseram viver com o Papa estes dias. Mas a maioria, essas vozes que gritaram sem cessar “Viva o Papa”, eram vozes portuguesas.

Luís Miguel Lopes

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