SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 04:19

A Vida no Tempo de D. Manuel I

 

Na quinta-feira, dia 29, houve a oportunidade de ouvir no auditório da Biblioteca Municipal o Professor Doutor João Paulo Oliveira e Costa e ainda o autor torrejano Pedro Canais, sobre como seria a vida no período quinhentista.

 

Num formato de entrevista, conduzida por Carlos Carreira e Luís Dias, as perguntas e as respostas sucediam-se intercalando com os dois convidados. Historiador de profissão e habituado ao registo científico João Oliveira e Costa diz que sentiu algum fascínio quando chegou ao romance escrito, pois permitiu-lhe a «liberdade absoluta». Entende, no entanto, que a ficção não deve colidir com a verdade histórica. Contou que escreveu durante dois anos sobre D. Manuel I e, disse, provocando sorrisos na plateia, lembrar-se do momento em que o matou. Contou ainda que viveu o momento de uma forma traumática, pois havia “convivido” com aquele personagem durante dois anos, e justificou, «a relação que se estabelece com as personagens, gera em nós uma empatia que parece que os conhecemos mesmo».

 

Pedro Canais contou, por sua vez, que no seu caso, quando escreveu a “Lenda de Martim Regos” teve de efectuar um estudo profundo sobre a linguagem, pois, entende o autor, «mesmo quando se usa o passado como matéria-prima, o nosso compromisso é para com a vida», e acrescentou ainda a propósito da linguagem, «as questões da mentalidade observam-se pela linguagem ou por coisas simples que se utiliza em determinado contexto».

 

Surgiu a pergunta sobre como os portugueses eram vistos pelos outros povos, e sem rodeios respondeu de pronto Pedro Canais, «o pior possível». Corroborou esta afirmação lembrando o comportamento dos portugueses na Arábia, «a nossa imagem deve ter sofrido o pior dos desgastes de toda a nossa História», pois ainda hoje há a referência aos portugueses como “Francos”, tratamento equivalente dado aos cruzados. Essa imagem negativa surgiu pela acção dos portugueses: «Quando se cortam 20 narizes e 30 orelhas imagine-se o impacto que isso deixa naquelas terras».

 

Luís Miguel Lopes

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