SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 13:57

Comemorações do 25 de Abril no Teatro Virgínia

 

Como é hábito por ocasião da comemoração do aniversário do 25 de Abril decorreu nessa data a sessão solene da Assembleia Municipal de Torres Novas. Houve discursos dos elementos dos partidos com assento na Assembleia Municipal, do Presidente desse órgão, e ainda a intervenção do Presidente da Câmara. Mas a sala começou a encher mais quando se aproximou a hora de escutar, gratuitamente, o último trabalho do músico Júlio Pereira.

 

Ana Isabel Ribeiro, do BE, lembrou o que o 25 de Abril nos trouxe, como a paz, os cuidados de saúde, a educação, o trabalho com direitos e também «muita utopia», pois essa «também é precisa». Logo depois passou a fazer referências ao que se vai sabendo do que ganham alguns gestores de empresas públicas, afirmando a propósito, «há 36 anos não era possível que Mexia recebesse o que 825 pensionistas recebem», e declarou que se sentia «ofendida». Sobre o mesmo assunto ainda acrescentou, «não precisamos dessa gente» e que «há muita gente honesta que pode fazer aquele trabalho». Os temas da crise, com os trabalhadores a serem os mais penalizados com o PEC, e o aumento do desemprego foram também abordados pela deputada do BE. Depois evocou o centenário da República onde, lembrou, houve também a coragem de depor um regime corrupto.

 

Manuel Ligeiro, em representação da CDU, evocou os militares de Abril e as suas armas “encravadas”, disse numa alusão aos cravos vermelhos. Recordou o que a revolução de bom trouxe, como o fim da guerra, a liberdade de expressão, de imprensa, de associação e também as melhores condições de trabalho. Disse, como que em resposta à proposta de Pedro Passos Coelho em rever a Constituição Portuguesa, de que a nossa Constituição é ainda «das mais progressistas da Europa», embora tivessem existido «sucessivos governos» que tentaram acabar «com o que Abril conseguiu». Fez alusão às sucessivas crises e a quem é que acaba sempre por a pagar, ie, o povo, e usou um chavão há muito utilizado pelo PCP, de que o socialismo está onde Mário Soares o pôs, na gaveta. Brincou depois com a sigla PREC e PEC, dizendo que a primeira «deu dores de cabeça a muita gente», mas que a segunda «vai dar dores de barriga a muitas mais».

 

Henrique Reis, do PSD, fez inicialmente alusão à sua longa experiência na vida autárquica, dizendo que pertenceu a uma geração que «acreditava num futuro melhor», mas que hoje em dia haverá sinais que o deixam «preocupado». A questão da liberdade e da sustentabilidade económica do país foi questionada pelo deputado municipal, que entende que as comemorações do 25 de Abril deveriam servir como um «alerta», pois verifica que «os pequenos poderes se satisfazem com servilismo e assim não vamos lá», pois hoje em dia há uma classe política que «não sabe conviver com opiniões».

 

José Trincão Marques foi representar o PS e começou por dizer que se encontrava ali para prestar homenagem àqueles que lutaram para que o 25 de Abril acontecesse. Retomou a ideia da “regionalização” e falou na necessidade de serem criadas novas regiões administrativas, entendendo que essas são «o poder local que nos falta». Lamentou o sentimento de «paz podre» que se vive na política e que afasta «os mais qualificados» e mostrou estar preocupado com os indicadores sociais, pois com mais de 10% de desempregados a pobreza tende a aumentar. Lamentou ainda a «falta de pudor» de alguns gestores públicos que com os seus salários «apodrecem os alicerces do Estado de Direito e Democrático». Criticou também a politização da justiça e pediu que não se confunda “Liberdade de Imprensa” com “libertinagem de imprensa”. Rematou a sua intervenção com uma frase de Jorge Sampaio, «há mais vida para além do deficit».

 

Luís Silva, o Presidente da Assembleia Municipal, deixou uma ideia simples após evocar todas as conquistas de Abril. Apelou a que os portugueses de hoje façam como os de há 36 anos, que se unam, para que seja possível ultrapassar a crise.

 

Luís Miguel Lopes

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