SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 06:49

Joaquim Paiva, o artesão de Lapas

 

Era um homem do mais simples que se pode imaginar”, disse Manuel Ramos, presidente da Junta de Freguesia de Lapas a “O Almonda” entre as recordações que guarda de Joaquim Paiva.

 

Onde ele estava, tinha de haver boa disposição. Foi um homem bom, simples e humilde e um grande colaborador da vida social da freguesia”, afirmou Víctor Piranga, amigo de longa data do artesão.

 

Joaquim Maria da Silva Paiva, artesão das Lapas, cuja fama do seu trabalho correu o país e estrangeiro. O artesão das figuras de madeira faleceu no dia 14.

 

Depois de se reformar dos serviços da Rodoviária, por brincadeira e para entreter o tempo, começou a fazer os seus bonecos em pau de figueira. Na Feira dos Frutos Secos em Torres Novas era uma presença assídua. Foi neste certame que apresentou pela primeira vez ao público os seus bonecos. Fazia-se ainda acompanhar pelo seu pequeno alambique onde a aguardente de figo era destilada ao vivo e na hora.

 

Começando por uma brincadeira, os seus bonecos acabariam por ser conhecidos e apreciados de tal forma que a sua fama saiu das fronteiras de Portugal. “Até do Japão chegavam encomendas e vinham aqui pessoas do país inteiro, há peças dele nos Açores e Madeira”, acrescentou o sobrinho José Ruivo, que vivia junto de Joaquim Paiva.

 

Ele sentia apenas uma tristeza. Dizia muita vez, vem gente de todo o lado para comprar e ver os meus bonecos, só as pessoas de Lapas não lhe dão valor nenhum”, acrescentou José Ruivo.

 

No seu modesto atelier ficaram as suas obras de arte mais conhecidas, a Praça de Touros, aliás, a peça de que Joaquim Paiva mais gostava, “uma vez ofereceram-lhe 1500 contos por aquela praça e ele não a vendeu”, recorda o sobrinho que nos abriu as portas da oficina do artesão.

A Praça de Touros é uma das obras mais antigas, e é também uma das mais complexas. É composta por cerca de 40 figuras, algumas das quais são animadas por um sistema electro-mecânico concebido pelo próprio Joaquim Paiva.

 

Na taberna não faltam pormenores. Lá está o grupo de homens a jogar a suecada “de que Joaquim Paiva não abdicava”, o “aqui não há fiado”, numa taberna à moda antiga em tamanho pequeno onde tudo foi pensado ao rigor. O mesmo se passa no Lagar à moda antiga. Entre as peças mais simples, lá está o Santo António e um belo crucifixo pintado de preto. Anjos, Nossas Senhoras e até demónios convivem no mesmo espaço. Nas paredes, certificados de participação em muitas feiras por esse país fora e diplomas de mérito.

Célia Ramos

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