SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 11:50

“A prática da caridade tem de estar ligada à da justiça”

 

“Precisamos de grupos onde se formem discípulos que sejam missionários. Por outro lado, parece-me também importante dar passos decididos para uma acção de conjunto mais real e eficaz, vencendo o individualismo tão forte na nossa época e que se faz sentir também na Igreja.”

 

Jornal O Almonda: D.  Manuel  celebrou no dia 13 de Março, 22 anos da sua Ordenação Episcopal. Que balanço faz desta caminhada enquanto Pastor, nomeadamente da Diocese de Santarém?

 

Manuel Pelino: Tenho um percurso já longo de 22 anos como Pastor da Igreja, dez como Bispo Auxiliar no Porto e doze em Santarém, mas necessito ainda de caminhar muito para corresponder a esta missão que o Senhor me confiou. É uma responsabilidade muito ampla e exigente, exige uma entrega total que as nossas forças nem sempre conseguem.

 

A tarefa do Pastor, segundo o evangelho, é conhecer as pessoas pelo nome (na sua identidade), é ir à procura dos que andam afastados, carregar aos ombros os mais débeis, orientar o povo cristão no caminho do evangelho, quando tantos outros caminhos mais fáceis e agradáveis tentam as pessoas. O Bom Pastor, como disse Cristo, ama e dá a vida. Tenho consciência de que estou ainda longe deste ideal. Mas o pouco que andei valeu a pena. E tenho gosto em continuar a percorrer este caminho.

 

Uma das tarefas a que dei importância foram as visitas pastorais ao longo de alguns dias em cada paróquia. Estou a realizar a segunda volta. As visitas têm-me permitido conhecer e ser conhecido, ouvir as pessoas e pregar, conviver de perto e celebrar a fé, congregar e apoiar os colaboradores do evangelho. A partir deste conhecimento mais real posso descobrir insuficiências e propor iniciativas de renovação da fé.

 

Outra preocupação tem sido a de fazer propostas sempre novas de evangelização, com a ajuda do Conselho Pastoral Diocesano e dos colaboradores mais próximos. Cada ano apresentamos para a diocese um plano/programa, escrito numa Carta Pastoral e em Guiões de formação, que estimula os que estiverem interessados numa atenção permanente aos novos desafios e na procura de novos caminhos de evangelização. Nos próximos anos, penso continuar as visitas pastorais e, ao mesmo tempo, dar maior atenção aos serviços diocesanos (Secretariados) que acompanham e formam animadores para as várias áreas da acção da Igreja (catequese, prestando atenção aos adultos; liturgia; caridade; família; juventude, etc.).

 

Noto que o cristianismo tradicional, apesar dos seus valores, manifesta dificuldade em transmitir a fé. São necessários, por isso, grupos mais conscientes e empenhados na vida cristã que funcionem como fermento dinâmico nas comunidades. Décadas atrás tínhamos a Acção Católica. Neste momento precisamos de grupos equivalentes onde se formem discípulos que sejam missionários. Por outro lado, parece-me também importante dar passos decididos para uma acção de conjunto mais real e eficaz, vencendo o individualismo tão forte na nossa época e que se faz sentir também na Igreja.

 

Por mais que faça sinto sempre que muito mais havia a fazer. Mas estou consciente de que sou um simples e humilde servo do Senhor, faço apenas o que está ao meu alcance. A tarefa do servo do evangelho é semear com confiança e humildade, fazer o que a Igreja nos pede sem querer ver de imediato os frutos ou alcançar êxitos. È esta pobre colaboração que ofereço ao Senhor pois é Ele que, com a sua graça, faz verdadeiramente crescer o reino de Deus.

 

Célia Ramos

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