SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 05:24

Entrevista com o actor João Reis

 

Um nova-iorquino da classe média viaja para um país pobre, devastado pela guerra. Da janela do seu quarto de hotel assiste à execução de um homem. Revoltado com aquilo que vê, doente e fechado no próprio quarto, reflecte sobre a realidade que ignorou durante todo este tempo. Inconformado e revoltado, olha para o seu passado de luxúria com novos olhos, despertando a consciência dos ouvintes para a dura verdade em que vivem. Esta é a história de “A Febre”, o primeiro monólogo da carreira de João Reis, o célebre actor reconhecido pelos papéis que interpretou até hoje na ficção nacional, apresentado ao público torrejano na passada noite de Sábado. Uma vez apresentado o espelho da sociedade que impera no Mundo, João Reis contou a “O Almonda” como é dominar um palco deserto e uma audiência inquieta.

 

Ao fim de tanto tempo de dedicação a esta nova experiência que foi o monólogo, é possível definir quais foram os principais desafios?

 

Estar sozinho em cena. Sei que é algo que “primeiro estranha-se e depois entranha-se”, mas a verdade é que os meus primeiros espectáculos foram muito difíceis. Foi uma sensação muito estranha pelo facto de não poder partilhar as minhas angústias e as minhas dificuldades com ninguém, contrariamente ao que acontecia nas outras peças que fiz. Nos meus outros trabalhos caso houvesse uma branca ou uma qualquer outra falha, o que felizmente nunca aconteceu, havia sempre ali alguém para me salvar e isso concedia-me um certo alívio e conforto. Num monólogo estou completamente exposto aos outros, não tenho ninguém para me encobrir.

Mas também houve regalias com certeza.

 

Sem dúvida. A partir do momento em que começamos a ter controlo sobre as coisas, o gozo é muito maior. Afinal sou eu que controlo tudo em cima do palco: o tempo, as paragens, as pausas… Ou seja, não estou dependente de ninguém a não ser, única e exclusivamente de mim mesmo. Ao fim de alguma rodagem e de me sentir mais seguro posso dizer que a sensação é, sem dúvida alguma, das mais maravilhosas que tive em toda a minha vida.

 

E quais foram as principais razões que o levaram a aceitar este desafio de interpretar um monólogo, ao fim de tantos anos de carreira a partilhar o palco com outras pessoas?

 

Primeiro que nada, atraiu-me imenso trabalhar com uma pessoa que eu não conhecia. Já tinha assistido a dois espectáculos encenados pelo Marcos Barbosa, mas nunca tinha trabalhado pessoalmente com ele e isso foi um factor de peso na minha decisão. Para além disso, o próprio monólogo que era a peça porque, afinal, era algo que eu nunca tinha feito em toda a minha carreira. Por outro lado, o próprio conteúdo do texto pois diz-me imenso, em diversos aspectos. Tem uma componente social muito grande de alerta e de apelo à consciência humana, e isso fez-me nutrir uma grande empatia pelo texto.

 

Margarida Cruz

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados