SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:48

Entrevista com Luís Represas

 

Dotado de uma das vozes mais incontornáveis na música portuguesa, Luís Represas actuou, na passada noite de Sábado, no Teatro Virgínia de Torres Novas. Curiosos e admiradores não faltaram, sendo o resultado uma plateia completamente lotada. Com quase trinta e cinco anos de carreira, o artista provou que é perito em pôr o público a vibrar nos seus concertos, deixando com marca da sua obra um sorriso em todos os rostos daqueles que assistiram. Ainda assim, após esta electrizante experiência vivida no interior do teatro municipal torrejano, Luís Represas não dispensou uma entrevista exclusiva e igualmente cativante ao jornal “O Almonda”.

 

É possível distingui o Luís Represas músico e o Luís Represas como pessoa?

 

Não há diferenças. Não há, nem nunca houve porque, afinal, um músico nasce da pessoa que se é. Eu nunca fui outra pessoa fora do palco, nem outra pessoa em cima do palco. Talvez a única diferença evidente seja que eu, no meu dia-a-dia, sou uma pessoa mais reservada e mais tímida. A verdade é que, em cima do palco, que é o sítio onde eu gosto de estar e onde, para mim, a música faz o seu pleno sentido, liberto-me muito mais, entregando-me de corpo e alma àquilo que faço.

 

Quando é que teve a certeza de que queria partilhar a sua vida com a música?

 

Para ser sincero, até aparecerem os Trovante, nunca esteve nos meus horizontes ser músico. Tudo bem que, quando tinha os meus oito ou nove anos, lembro-me de gostar imenso de imitar os Beatles, mesmo sem saber tocar guitarra, mas ainda assim, era tudo por brincadeira. Até porque eu tinha pensado que no meu futuro iria ser médico. No entanto, o desenrolar da História, os acontecimentos que presenciei, o 25 de Abril, enfim, tudo o que foi acontecendo fez com que a música me caísse no colo.

 

Esteve durante dezasseis anos no grande grupo que foi os Trovante. Foi um choque quando se separaram?

 

Não, não foi um choque até porque o grupo não se separou assim de uma forma violenta, nem, para mim, de uma forma inesperada. Acho que o grupo acabou e se separou de uma forma equilibrada. Houve elementos do grupo, como o João Gil e o Pedro Costa, que queriam fazer outras coisas fora dos Trovante e que entenderam que, se permanecessem no grupo, iriam começar a violentar aquilo que também era deles. E, de repente, deixou de fazer sentido. Achámos todos que já não fazia sentido continuar com os Trovante e, por isso, terminámos de uma forma muito saudável. Preservou-se tudo: o património, a memória, as canções… Foi então que, a partir daí, cada um seguiu o seu rumo. E hoje em dia já estou há mais tempo a solo do que nos Trovante.

 

Margarida Cruz

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