SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 22:13

2 de Novembro – Dia de Finados: Trabalhar lado a lado com a morte

 

No dia 2 de Novembro, os cemitérios tornam-se mais floridos, iluminam-se com velas acesas e ali chegam romarias de fiéis que nesta data recordam de forma mais intensa e com saudade redobrada os seus familiares e amigos que já partiram. No entanto, a ideia de cemitérios, de urnas ou mesmo de Agências Funerárias causa calafrios a muita gente e é na maior parte das vezes um tema pouco grato. Apesar disto, há quem trabalhe diariamente, lado a lado, com a morte. Lavam, vestem, penteiam, maquilham se a família assim o entender, os corpos, e dão uma palavra de conforto às quem ficou de luto, assim como, ajudam no encaminhamento de todos os procedimentos que há a tomar após a morte de uma pessoa, numa hora em que a capacidade de raciocínio é absorvida pela dor e pela tristeza. O Almonda falou com os responsáveis de duas das três Agências Funerárias de Torres Novas, (Torrejana, Amado e Correia) acerca do seu trabalho, da sua coragem e da forma como se relacionam com o lado mais frágil do ser humano.

 

A Alexandra Alexandre e o Rui Alexandre, apesar de serem um casal muito jovem, são os responsáveis pela Agência Torrejana. O negócio nasceu na família, e algumas décadas passadas, com a morte do avô de Rui, o casal assumiu este trabalho. Dignidade foi a palavra que mais se ouviu no decorrer da conversa, onde se falou sem preconceitos e com naturalidade da morte.

 

É um desgaste muito grande.

Aqui lidamos com o lado mais frágil das pessoas

 

“Não tenho vergonha de chorar. Mesmo lidando com a morte no meu dia-a-dia, há situações em que me emociono muito. Acho por exemplo, anti-natural um pai ou uma mãe sepultarem um filho. Tenham a idade que tiverem os pais que ficaram enlutados… Vê-los chorar a morte de um filho comove-me sempre. Mas também em outras situações. Fizemos um funeral do pai de um colega, que era uma pessoa muito especial, com quem se simpatizava de imediato, e no decorrer do funeral, eu chorava copiosamente! Não consegui evitar! As pessoas poderão pensar que fazemos este trabalho de forma fria e sem sentimentos. Mas não! A morte é sempre uma realidade dolorosa. Por mim falo. Tenho uma forma muito sentimental de lidar com a morte. É um desgaste muito grande. Não lidamos só com a morte mas com o lado mais frágil das pessoas que perderam alguém que amavam. Às vezes as pessoas desabafam aqui connosco aquilo que nem com a família falaram. É o cair da máscara.”

 

“Graças a Deus que a Maternidade saiu do Hospital de Torres Novas.” Salienta o Rui, que apesar de não se comover com a mesma facilidade da esposa, confessou que fazer o funeral de recém-nascidos foi das piores experiências que já teve na sua vida profissional. “Nunca estamos preparados para a morte. Mesmo que a pessoa já esteja em fase terminal e independentemente da sua idade, é sempre uma sensação de perda absoluta.” Salientou o Rui.

 

Célia Ramos

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados