SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:33

De 7 a 14 de Novembro – Torres Novas promove II Encontros de Lusofonia

 

Depois do sucesso de 2008 Torres Novas volta a assumir-se como a “capital da Lusofonia”. Uma semana totalmente dedicada à língua portuguesa e à sua diáspora, que pretende trazer ao concelho as cores, os sons e os sabores d’além mar. Buscando, este ano, a consolidação de uma iniciativa que a autarquia pretende ter como um dos pontos altos da sua programação cultural, voltam estes encontros, prometendo uma agenda intensa que, entre os dias 7 e 14 de Novembro, se concretizará nos debates, concertos, exposições, feiras e workshops, que animarão a Biblioteca Municipal, principal palco dos II Encontros de Lusofonia.

 

 

Experiência de 2008

 

O ano de 2008, primeira edição deste evento, incidiu muito especialmente na ligação e nos afectos estabelecidos com Timor-Leste, tendo sido dedicado um dia a este país, com um debate, uma exposição e um concerto de solidariedade para com Natália Santos, a menina timorense que foi operada, em Portugal, a um tumor na cabeça. Este dia procurou, muito especialmente, dar uma explicação sobre o trabalho feito pelo Presidente da Câmara em Timor, com vista à futura criação e implementação do poder autárquico naquele país, a convite do governo timorense. Aproveitando o pretexto de 2008 ter sido o Ano Internacional para o Diálogo Intercultural, a autarquia procurou ainda fazer o ponto da situação do processo de geminação que vem desenvolvendo com Ribeira Grande, em Cabo-Verde, tendo lugar uma conferência para dar conta dos projectos levados a cabo, e em vias de concretização, em Cabo-Verde, por iniciativa da autarquia e da comunidade torrejana. Outras personalidades marcaram ainda a sua presença nos primeiros encontros. Na área social o Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI, na literatura Pedro Canais, escritor torrejano, o caboverdeano Joaquim Arena, a jornalista moçambicana Conceição Queirós, entre muitos outros.

 

Outro elemento importante de 2008 foi o monumento torrejano ao V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, de 1960, localizado junto ao mercado de Torres Novas e replicado em diversos países lusófonos. Este facto deu origem a uma conferência sobre a função política dos monumentos e o significado da sua existência hoje, contando com a presença de especialistas como a professora Raquel Henriques da Silva. Como conferencistas, 2008 contou também com a participação de organismos com a importância da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), contando com a presença do seu Secretário Executivo, Eng. Domingos Simões Pereira, ou do Instituto Camões, recebendo a Drª Madalena Arroja, Directora de Serviços de Coordenação e Ensino do Português no Estrangeiro. Foi no decorrer desta conferência que a Drª Madalena Arroja inseriu um dado inédito na discussão, afirmando que um estudo recente, encomendado pelo Instituto Camões ao ISCTE, demonstra que cerca de 17% do PIB nacional resulta da acção e influência da língua portuguesa.

 

Memória e Mar em 2009

 

Os Encontros de 2009, a decorrer em plena recuperação de uma das maiores crises económicas à escala global, procura dar especial ênfase à busca de novas soluções, dando espaço à discussão da Língua e da fronteira marítima, enquanto factor potenciador das economias dentro da Lusofonia. Assim, estes encontros contarão com a presença do professor Adriano Moreira, Presidente da Academia de Ciências de Lisboa, no dia 13 de Novembro, pelas 21.30h, abordando esta temática na conferência “Lusofonia, última janela de liberdade: o valor económico da Língua Portuguesa”. No mesmo painel estarão ainda presentes o Dr. Ivo Nuno Pereira, investigador do ISCTE, instituição universitária responsável pelo estudo sobre o valor económico da língua, acima citado, bem como do jornalista Carlos Magno, que será o moderador deste debate.

 

Outra abordagem à Lusofonia será dada através do debate subordinado ao tema “Memória em vida, exercício de liberdade”. A decorrer no dia 12 de Novembro, pelas 21.30h, este debate pretende abordar as recordações e histórias de vida que a população tenha sobre a sua passagem por países da Lusofonia, lançando-se o repto para que, durante o próximo ano, sejam partilhadas histórias, episódios, e objectos que possam contar e fixar experiências individuais nesses países. Para lançar esse repto, a importância do exercício da Memória será discutida nesse debate, contando com a presença de personalidades como o jornalista Joaquim Furtado, o cineasta António Escudeiro, o cenógrafo José Barbieri, bem como da jornalista Inês Fonseca Santos. A moderar estará o escritor torrejano Pedro Canais.

 

No campo da literatura, o Sábado, dia 14 de Novembro, trará novo debate sob o tema “Escritos da Lusofonia: o uso global do português e a arte da língua”. Reunindo jornalistas poetas e escritores como Luís Carlos Patraquim, Waldir Araújo, ou Tony Tcheka, a Língua e a sua diáspora dará o mote para a discussão. A moderar estará o jornalista e escritor João Paulo Guerra.

 

Espectáculos e exposições

 

Como nem só de conferências se fará a programação, os II Encontros de Lusofonia contarão com um conjunto de espectáculos, entre os quais se distingue a presença do caboverdeano Tcheka ou do grupo de batuque Finka Pé, no dia 7 de Novembro, ou a actuação da fadista Ana Moura e do grupo de Choro e Samba Instrumental “Raspa de Tacho” no dia 14 de Novembro.

 

O público escolar não está esquecido, havendo uma série de actividades e oficinas que lhes serão destinadas, contudo, o público adulto terá também a possibilidade de experimentar workshops temáticos. Assim, haverá no dia 7 um workshop de Batuque exclusivo para mulheres a partir dos 15 anos com o grupo Finka Pé. Disponível estará também um workshop de dança de raízes africanas, partindo de movimentos que nascem das memórias e dos gestos do dia-a-dia.

 

Paralelamente a estas actividades, estará a decorrer no hall da Biblioteca Municipal a II Feira do Livro e da Leitura Lusófona, para além de uma exposição sobre “As maravilhas de origem portuguesa no mundo”, uma “mostra da maior campanha de divulgação do património histórico e cultural que marca a paisagem dos vários lugares da diáspora portuguesa pelo mundo”.

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