SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 11:25

Zibreira: Um gesto de verdadeiro voluntariado

 

Ana Isabel Pereira Fernandes, de 33 anos, Professora do 1.º Ciclo do Ensino Básico, apesar de nascida em Torres Novas é uma zibreirense dos quatro costados, filha de Manuel Joaquim Pereira Fernandes e de Maria Manuela Silva Aleixo, infelizmente falecida há cerca de um mês. Exercendo a sua actividade em Lisboa tomou conhecimento com uma organização católica e de inspiração cristã denominada Leigos Para o Desenvolvimento e através de uma leiga que a influenciou a fazer uma formação de 9 meses naquela instituição. Finda esta formação foi escolhida para ir, por um ano, dar aulas para S. Tomé que já uma vez havia visitado. Este gesto de Ana Isabel mereceu os maiores elogios e a admiração e respeito de toda a comunidade zibreirense. Não nos tendo despercebido deste acontecimento e, por isso, fomos visitá-la e aproveitámos para trocar algumas impressões.

 

Adelino Pinho – O que levou uma jovem professora nesta «aventura»?

 

Ana Isabel – Julgo ser principalmente a grande vontade de fazer voluntariado e dar um ano da minha vida a ajudar os outros e estar com os outros mas também numa organização católica de uma forma diferente porque há muitas organizações que não são católicas e fazem também um excelente trabalho. Como sou católica e praticante queria juntar o voluntariado a esta parte para além de saber que era uma experiência para o resto da vida e de me dar aos outros. Acho que essencialmente foi isso.

 

AP – Portanto deixaste o professorado por um ano?

 

AI – Sim. Tirei uma licença sem vencimento, por um ano.

 

AP – Isso irá influenciar, no futuro, a tua vida de professora?

 

AI – Em princípio não. Como já sou vinculada ao Estado tive mais facilidade em tirar um ano de licença, sem vencimento, e, por isso, fazendo este tipo de trabalho tornou-se mais fácil e irei ser colocada neste mês de Setembro.

 

AP – Como foi deixar os pais e irmãs e partir para tão longe?

 

AI – Bom isso foi a parte mais difícil porque as saudades são tantas apesar de nós vivermos lá um ritmo muito acelerado e de muito trabalho porque vamos para lá trabalhar e, nestas missões e principalmente nesta de S. Tomé, é uma missão com muito trabalho e portanto foi a parte mais difícil. Tive muitas saudades dos pais e, principalmente da minha mãe, dos meus sobrinhos e das minhas irmãs, claro.

 

AP – Qual foi a primeira impressão ao chegares a S. Tomé?

 

AI – Já conhecia S. Tomé pois já lá havia estado de férias. Conheci o país de uma maneira diferente, como turista, apesar de me relacionar muito com os locais mas agora foi de uma outra postura, de uma outra maneira. A primeira impressão foi achar que ia ser um ano muito trabalhoso e muito esgotante assim como foi. Acho que a primeira impressão foi boa pois consegui relacionar-me bem, consegui entrosar-me bem com as pessoas, com o trabalho, com os colegas, com todos os projectos com que trabalhei e também com a comunidade porque nós vamos, nestas missões, naturalmente nos Leigos, para trabalhar em comunidade. Fui com mais quatro pessoas e depois temos vários desafios. Temos o desafio do trabalho e o desafio de viver em comunidade que não é nada fácil. Portanto há desafios que temos de ultrapassar pois são pessoas que não conhecemos, que têm hábitos diferentes, maneiras de ser diferentes e, por isso, são desafios a enfrentar. É um trabalho que não conhecemos num país distante e com muitas necessidades e, depois, também parte da comunidade que também é o importante.

 

Adelino Bairrão Pinho

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