SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 08:21

25 de Abril – A madrugada do “Golpe de Estado”

 

 António Mota Asseiceiro, 58 anos, foi Inspector Tributário e Chefe de Repartição de Finanças, cabeça de lista pelo CDS nas últimas eleições autárquicas, e é alguém que ao longo dos anos tem apontando as desvantagens do 25 de Abril. No ano em que se assinalam os 35 anos de vivência em liberdade “O Almonda” entendeu dar a voz a quem não gostou das mudanças da madrugada. Porque vivemos em liberdade, podemos fazê-lo.

 

 

O Almonda – Podemos afirmar que João Asseiceiro é alguém que não apreciou as mudanças que o 25 de Abril trouxe?

 

João Asseiceiro – É complexo responder a isso assim… Na altura, no dia 25 de Abril de 1974, os sentimentos que tive foram contraditórios.

 

P – Onde é que estava nessa altura?

 

R – Estava de férias em Portugal, era militar em Moçambique, tinha estado na Guerra. Sou surpreendido pelo 25 de Abril em Portugal. Daí eu dizer que tive sentimentos contraditórios. Tinha na altura 22 ou 23 anos, e quando a minha mãe me acordou disse-me, “Levanta-te que está acontecer um golpe de Estado”. O que pensei em primeiro lugar foi “Já não vou para a Guerra”…

 

P – Então até ficou satisfeito?

 

R – Foi essa a minha primeira reacção, mas logo depois caí em mim. A satisfação já não foi tão grande. As minhas convicções pessoais fizeram com que ficasse preocupado. Na altura, em que havia partido único, a Acção Nacional Popular, eu não estava filiado, mas seguia com muito interesse tudo. E digo com toda a franqueza, fui da Mocidade Portuguesa e corri os postos quase todos, desde a base, Chefe de Quina e por aí fora.

 

P – Entrou para a Mocidade Portuguesa com que idade?

 

R – Recebi a farda aos seis anos e isso marcou-me. Lembro-me como se fosse hoje. Foi um dia marcante e que continuou a marcar-me até hoje.

 

P – Foi algo que lhe deixou saudades. Não via a Mocidade Portuguesa como uma ferramenta de preparação militar dos jovens?

 

R – Eu era muito miúdo e não tinha consciência disso. Só depois quando vi para Torres Novas, quando comecei a conviver com pessoas com outra formação e que me fui apercebendo de algumas coisas. No Entroncamento, onde vivi uma boa parte da minha infância, tinha o Posto da Polícia Internacional da Defesa do Estado ao meu lado. Assisti à passagem de dezenas de agentes da PIDE, que tinham uma postura cívica que não era diferente da população, estavam integrados. Toda a gente sabia quem eles eram. Quando cresci, e tinha 8 ou 9 anos, comecei a frequentar a Mocidade Portuguesa “a sério”, frequentando os cursos de formação.

 

Luís Miguel Lopes

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