SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 07:04

Rádio Local de Torres Novas – Histórias de ontem e desafios de hoje

 

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O dia 30 de Março de 1989 contou com uma notícia feliz para a comunicação torrejana. Após interrupção de 3 meses a Rádio Local recebia finalmente o Despacho concedendo o respectivo alvará. A Rádio ficava, assim, legalizada, após vários anos de actividade contínua. As emissões começaram apenas 40 horas após a notícia, a 1 de Abril, emitindo 17 horas por dia, entre as 7.30h e as 0.30h. Anunciou-se, então, a manutenção de antigos programas como “Nova Augusta”, “Nem mais nem menos”, “Página Torrejana”, “Mala Voadora”, e “Agenda Semanal”, agora chamada “Largo da Botica”. A Rádio Local de Torres Novas, hoje denominada TorresNovasFM (100.8), assinalou assim, no passado dia 1 de Abril, 20 anos de legalidade, todavia a primeira emissão foi transmitida a 20 de Abril de 1985, ainda enquanto rádio pirata, sendo esse o seu aniversário. O aniversário da rádio e a sua legalização, que se assinalam ambos no mês de Abril, foram o pretexto para o “O Almonda” conversar com antigos e ainda alguns dos actuais colaboradores da rádio e traçar um balanço da sua caminhada de 20 anos.

 

Jorge Branco

“É necessário o conceito de empresa, uma aposta no marketing e injecção de capital” 

 

Jorge Branco, actual Director de Programas e de Informação da “Torres Novas FM” e colaborador desde a sua primeira emissão, no dia 20 de Abril de 1985, acredita que há todas as condições para a Rádio Local continuar viva, “com algum esforço e trabalho diário. Mas para atingirmos outros patamares terá que haver outro investimento por parte da Sociedade. Quando houver um conceito de empresa, uma aposta no marketing e uma injecção de capital por parte dos sócios poderá haver uma mudança radical», assegura. É de recordar que a rádio “Torres Novas FM” é uma Sociedade, S.A, constituída por mais de duas dezenas de sócios.  

 

«Falta de renovação de valores, de rejuvenescimento»

 

O mesmo ainda reconhece que “a importância que a rádio tinha então na vila não tem nada a ver com a de hoje, até pela novidade que era há 25 anos e pelas notícias que divulgava da terra. Jorge Branco lembra que “esta começou por ser um projecto amador, de boas vontades e de desconhecimento na área. Depois, em 1989, passou-se para uma fase de semi-profissionalismo. A automatização da rádio veio melhorar a qualidade técnica da emissão. Estão agora ao nosso dispor ferramentas até então inexistentes que obrigavam a que houvesse uma presença contínua de colaboradores. Essa possibilidade trouxe dinamismo, mas, em simultâneo, um esvaziamento de recursos humanos. O próprio interesse que a juventude manifestava era diferente», diz Jorge Branco. E explica: «Com o Boom das rádios locais, as rádios nacionais vieram abrir o espectro radiofónico, retirando-lhe um pouco essa característica de proximidade, quando tudo era mais genuíno. E nos últimos oito anos houve uma falta de renovação de valores, isto é, de rejuvenescimento no pessoal».

 

Mais de 50% da música transmitida é portuguesa

 

Segundo a informação patente na Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) mais de 50% da música transmitida na “TorresNovasFM” é música portuguesa. «Dizer que a rádio passa pouca música nacional é uma falsa questão», argumenta Jorge Branco, e lembra «a nossa rádio chega já a alguns emigrantes torrejanos em Inglaterra ou Austrália, por exemplo. A rádio on-line, disponível no endereço www.torresnovasfm.com, surgiu há um ano e meio, porque era fundamental acompanhar os tempos e aproveitar esta oportunidade dada pelas novas tecnologias».

 

6 profissionais asseguravam e cumpriam com o dever de uma rádio local

 

No ponto de vista de Jorge Branco “seis profissionais asseguravam e cumpriam com o dever de uma rádio local, mas devido à falta de sustentabilidade é impossível pedir e sustentar isso. O esforço que a rádio desenvolve com a cobertura desportiva é superior às receitas obtidas. Temos tido sócios que não vivem este projecto, que não se sentem envolvidos. Estão de costas voltadas para a rádio. Os jovens que inicialmente se ofereciam para fazer rádio, agora não aparecem. O Ensino hoje em dia é muita informação e pouca formação. No verão recebemos estagiários da Escola Profissional de Torres Novas, com quem temos um Protocolo de colaboração, e que permanecem o tempo do estágio, mas depois acaba por não haver continuidade”, lamenta.

(outros 5 testemunhos na edição impressa) 

Isabel Maia

 

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