SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 16:43

Festa dos Campeões

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“Goooooooooooolooooooo” gritaram a plenos pulmões os milhares que encheram a Praça 5 de Outubro, palco escolhido por muitos torrejanos para assistir à final que consagrou Portugal como Campeão Europeu de 2016. O dia 10 de julho passou a ficar registado para a eternidade.

Na euforia, um copo de cerveja voou e benzeu todos os que se encontravam à volta. Mas ninguém se importou com isso. Pulou-se, saltou-se, agarrámo-nos a quem estava ao lado, dançou-se em cima das mesas. Vibrou-se como nunca e como nunca antes a Praça havia assistido, por causa de um jogador que muitos não queriam até que fosse ao Europeu. E no fim, o Santo Engenheiro, perdão, Engenheiro Fernando Santos, mostrou que tinha razão por ter construído a equipa. É ele o obreiro, o engenheiro do Euro, mas teve no campo um grande capataz, o Capitão da selecção, Cristiano Ronaldo, que com grande espírito de sacrifício e de abnegação ao longo de toda a prova, deu ainda maiores provas de ser um verdadeiro líder, incentivando todos os companheiros que ficaram no campo. Ronaldo, o adepto, estava ali, a dizer o que nós queríamos dizer, mas estava mais perto e os seus companheiros sentiram-se apoiados por ele. Foi importante até fora do campo. Os mais velhos podem até recordar-se do antigo jogador do Benfica, Néné, de quem se dizia com graça que bastava pô-lo a aquecer que os treinadores adversários colocavam dois a marcá-lo de imediato. Assim estava Ronaldo, mas já sem poder entrar.

Mas antes da festa que não deixou Torres Novas dormir por muitas e muitas horas, houve que sofrer. O sofrimento começou na lesão de Ronaldo e na Praça temeu-se o pior. Depois veio a «pega de cernelha», como alguém a apelidou, de Quaresma a um jogador francês, envolvendo-o com o braço à roda do pescoço. Aquele momento de descompressão foi importante, não tanto para os jogadores, mas para nós que ouvíamos cada batida do coração.

E aos 92 minutos o avançado francês Gignac enviou a bola ao poste, num dos assomos mais perigosos à baliza lusa. Aiiiii que ela quase que entrava. Valeu a Nossa Senhora do Caravaggio, que Luís Felipe Scolari nos fez conhecer. Foi à justa. Mas felizmente não entrou. E depois a beneficiar de um livre à entrada da área francesa vingámo-nos do susto. Foi Raphael Guerreiro que assumiu a marcação do livre e enviou a bola a beijar a barra. O beijo foi forte, mas a bola recusou-se a entrar. Porém o susto estava pago.

E Éder, Éderzito, tantas vezes criticado haveria de ser tornar o Cisne. De “Patinho Feio”, como o Santo Engenheiro, perdão, o Engenheiro Fernando Santos, a “Patinho Bonito” sublinhou. Que golaço! Com graça, a propósito da malapata que havia entre os torcedores da selecção e o jogador Éder, que chegou a ser vaiado nos jogos em casa, houve um comentário que não resisto escrever: «Difícil não é ser Campeão Europeu. Difícil é ser Campeão Europeu com o Éder a ponta de lança». E a sina estava escrita. Um potente remate colocou a vantagem no marcador que não mais largámos, apesar de alguns sustos, limpos de forma majestosa por Rui Patrício, o guarda-redes, assessorado por José Fonte e Pepe, os defesas centrais.

A Praça 5 de Outubro rebentou de alegria, com milhares aos pulos, aos saltos em cima das mesas, a chorar, a cantar, a sorrir. Estranhos abraçaram-se e cumprimentaram-se em alegria desmedida. Foi o ponto de partida para uma noite de buzinas, de risos e de lágrimas de alegria. Foi imensa a Festa, igual à mesma que acontecia onde se gritava por Portugal, fosse na pátria mãe ou no longínquo Timor. “Foi bonita a Festa, pá”, disse Chico Buarque um dia por causa da revolução de Abril. Esta foi também bonita, não mais importante, mas sem dúvida o feito maior do nosso futebol.

No dia seguinte (os que foram a tempo para o emprego) era difícil encontrar quem não andasse de sorriso aberto, tal era a felicidade. Assim, a sentir-se campeão, até o trabalho mais duro se faz com outra alegria. Portugal entrou para a História desportiva. E esse feito já ninguém nos tira. Obrigado rapazes. Obrigado Santo Engenheiro.

Luís Miguel Lopes

(Campeão Europeu 2016)

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