SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 21:14

Lagares de Azeite do Concelho a trabalharem a meio gás

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Este ano pode ser histórico no que toca a prejuízos da olivicultura no concelho

Este ano pode ficar marcado como histórico, no que toca ao prejuízo que os produtores de azeitona estão a ter com o fruto da oliveira estragado e caído no chão.

Os lagares de azeite do concelho de Torres Novas estão às moscas e os trabalhadores que habitualmente se ocupam da faina própria desta época do ano foram dispensados.

O Almonda passou pelo Lagar de azeite de Gateiras de Santo António que à semelhança do que se passa no concelho, se encontra a trabalhar a meio gás. Os agricultores este ano nem sequer apanham a azeitona, porque esta se estragou e ao Lagar chega apenas a azeitona do olival que em boa hora foi curado e assim se salvou o seu fruto.

É um cenário desolador, o que se encontra ao passar pelos Lagares de Azeite do concelho de Torres Novas. Nos anos anteriores, por esta mesma altura, era ver chegar tratores carregados com azeitona acabada de apanhar para moer no Lagar. Este ano há mesmo lagares fechados e sem laborar. A azeitona estragou-se e na opinião de alguns lagareiros, este ano pode mesmo vir a ser considerado “histórico” dado o prejuízo para produtores, lagareiros e mesmo para o cliente que vai eventualmente comprar o azeite mais caro.

O Almonda falou com Vítor Cotrim, proprietário do Lagar de Gateiras de Santo António.

No seu armazém, apenas azeitona de dois produtores. Eis que chega entretanto um outro agricultor, cuja azeitona parecia de muito boa qualidade.

“Como conseguiu azeitona tão boa neste ano tão mau? Perguntámos ao homem.

“Olhe, vou à missa todos os dias”, respondeu gracejando o agricultor.

“Pessoas mais velhas do que eu, não se lembram de um ano tão mau de azeitona. Foi uma doença terrível que se abateu sobre a azeitona provocada pela picada da mosca com todas as consequências que isso acarreta”, começou por dizer Vítor Cotrim.

“Tivemos um verão com temperaturas amenas. Se tivessem sido mais altas, afastavam a mosca, mas como não foram elevadas, criou-se o bom ambiente para a mosca proliferar.

A azeitona picada pela mosca, mais depressa cria a gafa (uma doença da azeitona bem conhecida pelos produtores). E esta praga alastrou-se ao país inteiro com especial incidência no olival tradicional que é o mais comum no nosso concelho. O concelho de Torres Novas foi especialmente atingido. É um prejuízo enorme”, explicou o proprietário daquele lagar desde 1982, que afirmou nunca se lembrar de uma “campanha” tão má.

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