SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 12:37

Entrevista a Jorge Fazenda, vencedor do prémio Book.it 2013

Jorge Fazenda é natural de Lisboa, Alcântara, e tem raízes familiares em Alcorochel, para onde se mudou em 1994. Antes vinha cá só para ver os avós e durante o tempo de férias escolares. Viveu por cá muito tempo e por isso a terra dos avós, Alcorochel, ocupou um lugar «muito importante» na sua formação e crescimento. Sem ser um livro de crónicas este foi o seu segundo livro. O primeiro foi “A Esquina”, em 2008.

A II Guerra Mundial deu o mote para o novo romance de Jorge Fazenda, “O Enigma de Sagres”, que equaciona um pacto secreto entre Hitler e Salazar. Este livro foi o vencedor do prémio “Book.it 2013”.

P – Porque decidiu escrever este livro?

R – O livro é uma homenagem que queria fazer a um sítio muito querido, Sagres. Um lugar onde volto todos os anos e onde me sinto muito bem. É um sítio intocado, face ao desordenamento territorial. E Sagres permanece com as mesmas caraterísticas que conheci há 30 anos atrás. É um local agradável, próximo do mar.

Eu nasci em cima de um rio [Tejo] e a minha casa era a primeira da gare marítima, em direção ao Calvário, em Alcântara, no único prédio de habitação que ali se encontra. Quando mudei para a Parede continuei a ter o mar. Mais tarde, em Cascais, a mesma coisa. Só deixei de ter mar quando fui viver para Alcorochel.

Sagres continua a ser um local ermo, por muitos turistas que tenha, ainda é difícil encontrar gente nas falésias e praias, o que para mim é aliciante.

P – Porquê o contexto da II Guerra Mundial?

R – Sempre ouvi falar de tempos que admirava, através do meu avô, que foi à I Guerra Mundial. E ele contava-me histórias desse tempo. Já os meus pais viveram no tempo da II Guerra Mundial e eu nasci três anos depois dela ter acabado. Vivi os tempos das carências alimentares e das vicissitudes daquele tempo. E esses tempos sempre exerceram um certo mistério e ainda hoje acho que há perguntas por responder. Pode é demorar tempo, mas será como o azeite que vem sempre acima. Pode é não ser no nosso tempo.

E o livro tem a ver com isso. Uma verdade que nunca é esclarecida. Porque é morto o rei? Morreu por causa da implantação da República e isso aparentemente justifica a morte. Mas não chega. O personagem do livro tem oito anos quando matam o rei e a partir daí é um miúdo desperto e com sensibilidade para o que o rodeia. É testemunha daquela ocorrência e depois, no resto da vida até ser um homem, só tem interrogações e nunca tem respostas.

LML

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