SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 01:30

“Bolinhos, bolinhos” à porta de quem os faz

A tradição de pedir os bolinhos no Dia de Todos Os Santos perde-se no tempo. Crianças juntam-se em grupos e andam de casa em casa pedindo os bolinhos “em honra dos seus santinhos” e são poucas as casas que neste dia não têm sobre a mesa as broas ou merendeiras. Feitas em casa ou compradas sob encomenda, elas podem ser feiras de inúmeras formas diferentes e os frutos secos são, em algumas, os reis da receita.

O Almonda este ano também quis ir pedir os bolinhos e fomos para isso bater à porta de uma especialista do nosso concelho, em bolos, bolinhos, broas, biscoitos ou o tradicional bolo de cabeça, Helena Inácio, um rosto bem conhecido das muitas feiras que se realizam por esse país fora.

Há mais de 25 anos que a Ribeira Ruiva sente o aroma que sai diariamente da Casa dos Bolos de Helena Inácio.

Esta senhora nem sempre fez bolos, trabalhava no setor das malhas. Quando a casa para a qual trabalhava fechou, foi desafiada por uma colega a fazer bolinhos.

“Ela tinha uma receita muito antiga de bolinhos a que chamava de lesmas. Eram pequeninos e dourados. Mas logo da primeira vez, fizemos tanta quantidade que deu para dar e vender. E quem comprou pediu mais e as pessoas fizeram novas encomendas. E assim começou. Agora fazemos aqui bolos todos os dias”, explicou a doceira.

Enquanto ia trabalhando nas mãos a forma a dar forma aos bolos de cabeça, que em breve entrariam no forno, Helena Inácio explicou que esta é uma das épocas mais trabalhosas.

“A seguir à Feira dos Frutos Secos, quando a temperatura começa a mudar, começam as primeiras encomendas de broas. No entanto, temos todo o ano, as de mel e noz e as de erva doce e canela. Estas são as mais tipicas que são vendidas o ano inteiro. As broas fervidas de mel e café também são muito procuradas. Nesta época dos santos trabalhamos todo o dia e por vezes até de madrugada”, explicou ainda, afirmando que se perde a conta à quantidade de broas já vendidas este ano.

Célia Ramos

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