SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 18:50

Fiação e Tecidos encerra definitivamente

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O dia 29 de Julho de 2011 entra inevitavelmente para a história da indústria portuguesa e da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos. Neste dia os credores chumbaram o plano de insolvência desta empresa que viu desta forma ser ditado o seu fim no Tribunal de Torres Novas. A Companhia Nacional de Fiação e Tecidos, ou Companhia Torres Novas, marcaram a indústria nacional e regional com a longevidade (foi fundada em 1845) e também pelas dimensões de produção que atingiu, ao empregar cerca de mil pessoas, que mantinham a fábrica a funcionar sem interrupção.

O plano de insolvência previa a aquisição da indústria e do património pela Lanidor por 600 mil euros e também a criação de uma nova sociedade. Nesta nova sociedade a Lanidor detinha 90% do capital, enquanto o restante 10% do capital seria detido pela Companhia Nacional de Fiação e Tecidos. O plano de insolvência previa também que ficariam a trabalhar inicialmente cerca de 30 trabalhadores. Tendo sido chumbado o plano de insolvência a fábrica encerra e vai a hasta pública. Um novo capítulo na vida desta fábrica poderá surgir após a venda em hasta pública, no entanto fica por garantir a quantidade de produções que atingiu no passado, algo que por enquanto só parece possível vir a atingir a longo prazo. Um dos argumentos usados pelo advogado da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos para a aprovação do plano de insolvência era precisamente a de que o valor oferecido pela Lanidor – 600 mil euros – não seria atingido em leilão, o que seria prejudicial para os seus credores.

Ainda assim é de salientar que o BES – credor de cerca de 5 milhões de euros – votou favoravelmente neste plano de insolvência. No entanto os votos favoráveis foram de apenas 50%, enquanto a lei estabelece que um plano de insolvência tem de ser aprovado por dois terços (2/3) dos credores. Trabalhadores credores votam contra plano de insolvência Os cerca de 140 trabalhadores credores representavam cerca de 22% da dívida total e a grande maioria destes trabalhadores votaram contra este plano de insolvência por não considerarem satisfazer as suas exigências.

João Rodrigues

One thought on “Fiação e Tecidos encerra definitivamente

  1. Quando há 50 anos, a minha avó me ofereceu uma toalha de linho e canhamo, com o desenho “Rosas”, não sabia que um guardanapo serviria de lenço.
    São rosas, Senhor… mas nelas estão a tristeza de um povo, que vê as suas tradições, a sua história a pouco e pouco desvanecer-se.
    São rosas Senhor… mas nelas estão a afronta à Pátria que não se reconhece nem nos seus dirigentes, nem na cobardia do seus cidadãos.
    Como recordação ficaram as acções da fábrica, a atestar o que se fazia com qualidade, quando ainda não era preciso a certificação, na terra dos meus avós!

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