SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 14:23

António Rodrigues vence o seu 5º mandato e renova maioria absoluta em Torres Novas

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Dia 11 de Outubro, por volta das 22 horas, os primeiros sinais da festa socialista começavam a aparecer. Na sede de campanha do PS, na Rua Dr. José Marques, António Rodrigues analisava os últimos resultados, enquanto cá fora já se aglomerava grande número de apoiantes, preparado para festejar mais esta vitória. Ainda dentro da sede, as palmas alternavam com muitos beijos e abraços. Confirmado o reforço da maioria, com 53.81% da votação, António Rodrigues saiu então para a rua, acompanhado da família, e depois das fotografias de ocasião, afirmou “vamos embora comemorar!” Mais uns beijinhos até chegar ao carro, mais uma garrafa de champanhe que se abre, e finalmente sai o cortejo de dezenas de carros, com bandeiras e braços de fora gritando vitória. Não é para menos: Após 16 anos de governo contínuo, António Rodrigues parte para o seu último mandato merecendo dos torrejanos um novo aumento de votação, reforçando a maioria que já detinha.

 

Longe das buzinas e em festejos mais comedidos, estavam os candidatos do PSD e da CDU, onde a euforia foi menor, mas igualmente com grande dose de cumprimentos e rostos sorridentes. Obtendo uma votação de 20.9%, o PSD manteve o seu vereador na Câmara Municipal, estando bastante perto de chegar ao segundo vereador, segundo as palavras do candidato, João Sarmento. Regista-se ainda a conquista da freguesia de Pedrógão, anteriormente da CDU, assim como Alcorochel, antes pertencente a uma lista de cidadãos independentes.

 

Na sede da CDU aconchegava-se o estômago com a boa sardinha de escabeche. Festejava-se a representação na autarquia por parte de Carlos Tomé, que, com 13% das votações, mantém o mandato anterior. Para sobremesa, saboreava-se a conquista da freguesia de Lapas ao PS.

 

Não muito longe dali, na sede do Bloco de Esquerda ainda se analisavam os resultados finais e os sorrisos eram tímidos. Ainda não foi desta que o Bloco conquistou um lugar na vereação. No entanto dava-se por positivo o saldo, atendendo à subida de mais de 200 votos para este partido de esquerda, e a conquista de um segundo deputado para a Assembleia Municipal.

 

O Almonda passou por estas sedes e recolheu os primeiros comentários às eleições autárquicas, onde, no final, se fica com uma sensação de “déjà vu”.

 

 

“É sempre uma vitória fantástica conseguir cinco vereadores em sete possíveis”

 

“Esta é uma vitória já esperada. Esperava manter os mesmos resultados de há quatro anos. É sempre uma vitória fantástica conseguir cinco vereadores em sete possíveis, com a particularidade de termos aumentado, embora ligeiramente, em relação há quatro anos”, comentou António Rodrigues. “É uma vitória que me dá alegria, Mantenho a mesma equipa e vamos continuar a trabalhar pelo bem do nosso concelho. Temos a mesma votação para a Assembleia Municipal e mantivemos o mesmo número de deputados municipais”. Quanto às 17 freguesias António Rodrigues foi maioritariamente votado em todas elas, revelando, afinal, o apoio vindo de fora da cidade. Contudo nem tudo correu bem nas assembleias de freguesia: “É evidente que lamento a perda da Freguesia das Lapas, mas esta é a lógica da Democracia”, lembrou. Em relação à obra prioritária com que pretende encetar este novo mandato, as palavras finais de António Rodrigues, foram “Todas! Todas as obras são importantes. Vamos apostar nos Paços do Concelho e na Mata Municipal com a Piscina de Verão.”

 

 

PSD lamentou não ter conseguido um segundo vereador

 

Na sede de campanha do PSD não havia muitas razões para festejar, uma vez que, e segundo nos disse o candidato João Sarmento, o Partido Social Democrata andou perto de conquistar um segundo vereador. “Ganhamos mais duas juntas, o que foi positivo, para além de termos conseguido retirar a maioria absoluta na maioria das restantes Freguesias. Nesta área estamos de parabéns. Na Câmara Municipal o nosso objectivo mínimo era a conquista de pelo menos dois vereadores. No entanto eu lá estarei para marcar a nossa posição nestes quatro anos.

 

 

A conquista da Junta de Lapas pela CDU tem um doce sabor para o partido

 

Nas suas primeiras declarações após a saída dos resultados finais, Carlos Tomé, candidato independente à Câmara apoiado pela CDU, afirmou que esperava resultados diferentes dos obtidos: “Estava à espera de resultados ligeiramente diferentes. Esperava realmente que o PS perdesse um vereador e houvesse a possibilidade da CDU aumentar o seu número de vereadores. Ou então o PSD. Tudo era possível. As coisas mantiveram-se iguais àquilo que estavam. Para nós o importante neste momento é termos mantido a nossa representação”. Sobre a vitória do PS comentou: “Já dei os meus parabéns ao António Rodrigues e renovo esses cumprimentos. Na verdade as pessoas parecem estar satisfeitas com esta governação do município. Nesse contexto entendemos que é fundamental que a nossa perspectiva das coisas esteja presente e que exista. Se a vereação ficasse decapitada de um elemento da CDU era bastante pior. Estando presente alguém da CDU sempre se torna possível manifestar as nossas posições no que respeita ao desenvolvimento do concelho. Vamos fazer uma a oposição construtiva, apresentar propostas, contribuir para a melhoria do concelho, ainda que as pessoas não reconheçam este trabalho na ida às urnas.”


A Junta de Freguesia das Lapas foi ganha pela CDU e esta é uma “doce vitória” para o partido.

“Neste último mandato tínhamos as Freguesias da Ribeira e do Pedrógão. Mantivemos a Ribeira e perdemos o Pedrógão. Vai daqui um abraço de amizade ao nosso candidato, António Virgílio que foi um trabalhador incansável, mas de facto perdemos a Freguesia do Pedrógão e não vale a pena arranjar desculpas para essa perda. Ganhamos, sim, as Lapas, e isso merece algum relevo, porque esta freguesia sempre foi um bastião do PS e por essa razão ganhar as Lapas tem um outro sabor, é uma vitória muito interessante”, salientou Carlos Tomé para quem, no final, o saldo é positivo: “Mantivemos a mesma representação, e a nossa voz vai continuar a ouvir-se, quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal, e em praticamente todas as Assembleias de Freguesia. Temos o mesmo número de juntas conquistado e o trabalho faz-se no dia-a-dia, conscientes de que este é um caminho longo e difícil. Vamos por isso continuar a batalhar.”

 

Apesar do Bloco de Esquerda não ter conseguido um lugar na vereação,

o balanço é positivo dado o registo do aumento da votação

 

Segundo Guilherme Pinto, candidato independente à Câmara pelo Bloco de Esquerda, “podemos dizer que se confirmaram as nossas expectativas. Tivemos dificuldade em conquistar um vereador e manteve-se assim a maioria socialista. No entanto, de salientar que conseguimos aumentar a votação no Bloco e conseguimos mais vereadores nas Assembleias de Freguesia e conseguimos dois deputados na Assembleia Municipal. Por isso consideramos o balanço positivo. Fizemos uma campanha próxima das pessoas, apontámos aquilo que achamos serem as lacunas da maioria socialista, apresentamos propostas alternativas para ir ao encontro dos problemas dos munícipes, tivemos uma boa receptividade ao longo da campanha, porém, ficamos aquém do nosso objectivo, que era a eleição de um vereador. No entanto, feito o balanço e tendo em conta os resultados em relação à Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia, podemos afirmar que estamos satisfeitos, e que o balanço foi positivo.”

 

 

Nota: Até ao fecho desta edição não nos foi possível recolher um comentário por parte do CDS-PP, pelo que o mesmo será apresentado na próxima edição.

 

 

 

 

Alteração de cores

 

À volta de Torres Novas tem tudo ficou como antes. Se Tomar, Entroncamento e Santarém permaneceram, ou mesmo reforçaram substancialmente a sua votação no PSD, já Ourém, antigo bastião social-democrata, acabaria ganho pelo socialista Paulo Fonseca, anterior Governador Civil de Santarém. Alcanena foi outra surpresa da noite eleitoral, sendo que a lista de independentes, legada pelo anterior presidente Luís Azevedo, acabaria por perder o concelho para a candidata socialista Fernanda Asseiceira, com uma expressiva diferença de votação. Com menor surpresa, mas a registar, a mudança segura de candidato, pela CDU, à autarquia de Constância, que apesar de ver a sua votação substancialmente reduzida, conseguiu manter a Câmara. Imparável esteve Veiga Maltez, Presidente da Câmara da Golegã desde 1997, que, face ao aparecimento de uma lista de independentes, viu a votação na oposição dividida, ao ponto de ficar o PS com toda a vereação por sua conta.   

 

No seu total o distrito elege uma maioria de candidatos socialistas, com valores muito aproximados dos de 2005.

 

No concelho de Torres Novas a abstenção subiu ligeiramente em relação a 2005. Ainda assim 58.95% dos torrejanos foram exercer o seu direito de voto. O mesmo sucedeu na generalidade do distrito, verificando-se uma ligeira quebra na afluência às urnas.

 

Célia Ramos e CLC 

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