SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 19:07

Entrevista aos Candidatos – Cultura

Cultura

Culturalmente a autarquia tem vindo a apoiar-se na capacidade de programação do Teatro Virgínia, rentabilizando a sua acção noutras actividades pelo concelho. Apoia esta estratégia? Que alternativas propõe para a cultura em Torres Novas? Qual a abordagem a fazer nas freguesias e junto das suas colectividades?

 

 

Guilherme Pinto (BE) – O Teatro Virgínia é uma obra importante e certamente que deverá ser rentabilizada e sobretudo estar ao serviço da cultura local, inserido numa estratégia que valorize mais a criatividade dos nossos jovens e não jovens, de tudo aquilo que constitui a riqueza cultural do nosso concelho. Por outro lado, porque não fazer um programa itinerante, das exposições que estão patentes na Biblioteca, pelas freguesias do Concelho? Nós privilegiamos o incentivo à prática cultural e o aproveitamento dos talentos culturais existentes em Torres Novas, da escrita à pintura. Temos de colocar os equipamentos ao serviço desta riqueza cultural que é nossa. E ao falar de cultura, não posso deixar de lembrar a Casa de Cultura de Riachos que continua como promessa, e na cidade, as obras de requalificação do antigo Mercado do Peixe. Em relação às freguesias, é necessário fazer um trabalho de inventariação dos espaços existentes que é preciso revitalizar. E prestar todo o apoio às associações de cariz cultural, incentivando-as de forma a preservar e projectar culturalmente o nossa concelho.

 

 

Carlos Gomes (CDS-PP) – Concordo com os eventos do Virgínia e com o seu funcionamento enquanto empresa municipal, contudo, no que diz respeito à cultura, volta o mesmo problema da excessiva centralização de esforços na cidade. No caso das aldeias é necessário procurar e investir no património rural, apostando na gastronomia, criando roteiros turísticos, como referi, fazendo uso de programas como o PRODER. Faz também falta nas aldeias a disponibilização de Internet gratuita em colectividades e associações, ou a criação de pequenas bibliotecas. Quer para os jovens, quer para os idosos, que ainda querem aprender. Na cidade nota-se a falta de sinalética, bem como de um roteiro que permita uma comunicação entre diferentes zonas visitáveis. 

 

 

Carlos Tomé (CDU) – Não apoio a estratégia que está a ser levada a cabo na área da cultura. A actividade do Teatro Virgínia merece o meu elogio. Há uma actividade no serviço educativo que está a funcionar muito bem, a ligação com as escolas é correcta, mas as questões culturais não se podem reduzir ao Teatro Virgínia nem à realização da Festa do Almonda anual. O Teatro Virgínia não é solução para os males culturais do concelho inteiro. No entanto acabou-se com toda a outra actividade cultural. Torres Novas deixou de ter atenção às associações de cultura e recreio, deixou de ter qualquer perspectiva de intervenção nas freguesias, no sentido de potenciar a criação de motivos de interesse cultural. O Teatro Virgínia tem também caído no erro de ter uma visão um pouco elitista que apresenta espectáculos. A cultura não se pode reduzir à programação do Virgínia. Existem muitos valores e potencialidades esquecidos e ignorados em Torres Novas. Muitas colectividades estão a fazer um trabalho excelente e que não fazem mais porque realmente não são apoiados. O Teatro Virgínia não deveria ser uma empresa municipal, deveria sim ser gerido pelos próprios serviços culturais da Câmara e deveria ter um plano de intervenção global ao nível do concelho. O Município tem de ir junto das pessoas e das colectividades à procura dos fazedores de cultura e não se fechar no Teatro Virgínia.

 

 

João Sarmento (PSD) – A nível cultural tenho de começar por dizer que sou absolutamente contra os 800 mil euros de orçamento anual para o Teatro Virgínia. É um valor extremamente elevado para que haja retorno desse esforço de investimento. Não existe retorno nem cultural nem financeiro para tão avultado investimento. Também para esta área defendo o equilíbrio, como em tudo na vida. Equilíbrio ente a programação nacional e a local. O Virgínia terá de ter maior abertura para que exista uma maior participação das nossas associações locais. Queremos que haja promoção, que se dignifique o que de melhor se faz no concelho na área cultural. O trabalho das nossas colectividades e associações devem ser apresentados no Virgínia. Todas as associações deveriam ter o seu tempo para mostrar toda a sua dedicação, trabalho e empenho, que têm ao longo do ano, e deveriam poder depois, no Virgínia, apresentá-lo a todos os torrejanos. Cultura é também história. Penso que nesta área é que poderíamos contar mais com a Igreja Católica, pois devemos procurar que se preserve o nosso património edificado, onde se incluem as nossas Igrejas e Capelas. Estamos a falar de cultura viva, a par dos outros monumentos que temos no concelho. É um património que se transporta de geração em geração sem que sejam precisas palavras.

 

 

 

António Rodrigues (PS) – É preciso compreender que, hoje, a Cultura é também um investimento. É investimento que aponta para a nossa capacidade de inovar, para a capacidade de aproveitar os nossos equipamentos e para a capacidade de liderarmos a própria região onde estamos inseridos. Eu penso que com o Teatro Virgínia, as Festas da Cidade, as Memórias da História, a Semana da Lusofonia, e se juntamos a nossa Biblioteca, o futuro Museu Alfreido Keil e o Museu Etnográfico verificamos que temos uma boa oferta cultural. No que toca às abordagens feitas fora da cidade penso que terá havido, por parte da autarquia, alguma falta de informação. Tem havido um apoio tremendo quer às Bandas, quer aos Ranchos, com um subsídio institucional que permite a estas colectividades ter uma receita mensal que lhes permite sobreviver e manter a actividade. E sempre que há iniciativas culturais na cidade são chamados a participar, são nossos parceiros. Não vale a pena inventar. Desde que a autarquia dê apoio e promova as colectividades e incentive quem está à frente já é algo importante. Por outro lado também é bom que se saiba que a Câmara de Torres Novas apoia de uma forma clara e inequívoca o Museu Agrícola de Riachos. Ele existe e está nas condições em que está graças ao apoio permanente da Câmara de Torres Novas. Por isso podemos dizer que continuamos a ser defensores da preservação do nosso património cultural, seja na cidade ou nas freguesias.

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