SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 01:03

Entrevista aos Candidatos – Emprego

Emprego

 

O desemprego continua a ser uma preocupação constante na nossa sociedade. Como pode a autarquia ajudar a preservar os postos de trabalho existentes e que medidas propõe para o reforço da criação de emprego no nosso concelho?

 

 

Carlos Tomé (CDU) – Este é um problema grave que afecta todo o país. Nesta área o que o Município pode fazer é tomar medidas que possam inverter a tendência de desaparecimento de empresas. A tendência de apenas atrair empresas com empregos precários e desqualificados, como se está a assistir actualmente, com a invasão de hipermercados que oferecem empregos precários e desqualificados. O importante seria a criação de emprego qualificado, duradouro, e que desse a possibilidade às pessoas de se manterem a trabalhar no concelho onde habitam, sem terem de se deslocar para outros concelhos ou mesmo fugir para o estrangeiro. São várias as medidas que poderiam ser tomadas, como a disponibilização de lotes de terrenos a preços simbólicos, a isenção de taxas de construção… Há uma série de medidas que podem atrair investimentos. E um investimento atrai outro. A Câmara até aqui só apostou na vinda de supermercados e devia insistir numa tendência contrária e iniciar uma estratégia que incentive a vinda de outro tipo de empresas.

 

 

João Sarmento (PSD) – Pergunto aos torrejanos o que é que hoje nós produzimos no nosso concelho? Qual é a nossa identidade empresarial? Será que as caixas dos supermercados serão o futuro dos torrejanos? Será que os pais que lá vêem os seus filhos, alguns com cursos superiores, não vivem angustiados? Como é que Castelo Branco, uma cidade do interior, também na linha da A23, tem uma força empresarial muito superior à de Torres Novas? Isto dá que pensar e reflecte bem o adormecimento que tem existido nestes últimos dezasseis anos. A criação de espaços para a implantação de empresas em Torres Novas, pondo em primeiro lugar as empresas de cá, terá de ser, forçosamente, o futuro da nossa economia. Que seja uma boa economia e equilibrada. O nosso futuro económico terá de passar pelas micro, pequenas e médias empresas. Nós temos um tecido empresarial que se encontra disperso e sem condições para evoluir, sem apoios na área da formação, mas tem empresários a quem poderão ser dadas condições para evoluir de forma a garantir o futuro empresarial em Torres Novas. Nós temos condições e capacidade para ser muito mais exigentes connosco próprios no sector empresarial. Teremos de iniciar, rapidamente, um trabalho de construção de estruturas apropriadas ao nível das zonas industriais, para que consigamos promover a fixação de novas empresas, dando primazia às empresas torrejanas, para que consigamos inverter esta situação de termos quase exclusivamente empregos nos supermercados. No PSD damos prioridade ao apoio às pequenas e médias empresas. Queremos promover e apoiar a criação de uma rede empresarial, com vista à optimização dos custos de todas as empresas dessa rede, porque entendemos que um futuro sustentado da economia local só poderá passar pelas PME´s. Concluo dizendo que 83% das receitas do Estado provém das PME´s. Por aqui se vê a sua importância.

 

 

António Rodrigues (PS) – No que concerne ao emprego, curiosamente, e este é um dado inequívoco e indesmentível, o concelho de Torres Novas, de Abril até agora, tem visto descer os índices de desemprego. Aliás esses índices, em Torres Novas, foram sempre mais baixos do que a média nacional. A grande aposta da autarquia, se eu continuar a ser Presidente da Câmara, vai ser a conclusão da Zona Industrial de Riachos, a ampliação da Zona Industrial de Torres Novas, reforçando o papel da “Geriparque”, e muito em particular a implementação da Zona Industrial da Zibreira, no nó da A23 com a A1 (aliás recentemente apresentámos um projecto de 15 milhões de euros nesse sentido). Ou seja, eu acredito que nesta fase de relançamento da economia Torres Novas não pode nem vai estar distraída, pois temos excelentes condições de localização geográfica, e em Torres Novas, Zibreira e Riachos, temos potencial para captar mais empresas. Mas não quero também deixar de frisar que quero manter a minha aposta de criar a Zona Industrial de Assentis.

 

 

Guilherme Pinto (BE) – A criação das quatro zonas industriais foi um fracasso. Não houve com esta aposta resultados significativos no que respeita à criação de emprego. A aposta na instalação de grandes superfícies comerciais também não resolveu o problema do desemprego. A resolução deste problema passa sim pela criação de condições para captação de investimento. Temos uma localização geográfica privilegiada. É preciso rentabilizar essas condições. O BE propôs a criação de um grande Parque Intermunicipal, acreditamos que só com a aposta em infra-estruturas de grande envergadura é que é possível criar novos postos de trabalho. É necessário apostar na inter-municipalidade apostando na criação de grandes parques e zonas industriais através de candidaturas a fundos comunitários.

 

 

Carlos Gomes (CDS-PP) – Causa-me apreensão a quantidade de grandes superfícies recentemente instaladas em Torres Novas, esta tentativa de atrair empresas exteriores, não incentivando o crescimento de empresas já existentes no concelho. Verifica-se um aumento na precariedade do emprego, a criação do emprego sazonal e consequente penalização das famílias. Torres Novas foi inclusivamente um concelho agrícola e industrial com expressão. Lembro a grande cultura de vinha e do figueiral, o maior do país. Tudo isso foi desprezado. A Câmara deveria já ter criado um gabinete de atendimento próprio para a agricultura, com o fim de prestar esclarecimentos e procurar soluções para os munícipes das zonas rurais, fazendo uso dos programas da Comunidade Europeia para fomentar o emprego também nesta área e dando-os a conhecer. Quanto à indústria verifica-se que o elevado preço dos terrenos da nossa zona industrial continua a facilitar a sua venda a empresários exteriores em detrimento dos do concelho, prejudicados por terem menor capacidade económica. Há torrejanos que querem investir em Torres Novas mas que, pelo preço do metro quadrado dos terrenos, preferem fazê-lo em Constância ou na Barquinha. Só as grandes empresas, criadoras do tal emprego precário, acabam por ter condições para investir em Torres Novas.

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