SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:16

Entrevista aos Candidatos – Ambiente

Ambiente

 

 

Um dos assuntos sensíveis no concelho é a questão ambiental e de saneamento. Que propostas tem para uma melhoria neste plano? Concorda com a proposta de adesão do Município à empresa intermunicipal  Águas do Ribatejo?

 

 

João Sarmento (PSD) – Nos últimos dezasseis anos de gestão de António Rodrigues verificamos que parámos completamente em termos de ambiente. Veja-se o caso de Adofreire que recebe os esgotos todos do Pedrógão, veja-se o que se passa em Riachos, pois todas as semanas aparece nos “media”, recorde-se os esgotos a céu aberto, como acontece na Lamarosa. Em Árgea assiste-se à mesma situação, indo desaguar no Parque do Bonito do Entroncamento, e outras situações acontecem no Carvalhal da Aroeira, em Carreiro da Areia. Enfim, em termos ambientais nem vale a pena enumerar, tanta é a desgraça no nosso concelho.

 

Se formos poder, a partir do dia 11 de Outubro, a primeira medida passa por começar a dar o exemplo. A Câmara terá que iniciar uma trajectória completamente diferente daquela dos últimos dezasseis anos. E falo em dar exemplo sem ser preciso recorrer a medidas caras e dispendiosas. Junto dos empresários promover a sensibilização para este tema, que é actual, e todos nós temos de evoluir. Vamos propor às empresas que neste momento são origem de poluição em estado líquido, a construção de pequenas ETAR´s, para que, quando a água entrar no circuito global, já vá com parâmetros aceitáveis. É uma medida simples e que é possível colocar em prática. Outras medidas passam pela implementação de mini centrais de compostagens, uma rede de ecopontos e promover o reaproveitamento das águas sabonárias. Esta última medida, por si só, iria significar uma poupança de três mil litros de água por mês, por cada habitante. Não digo que seja de fácil implementação, mas há que lhe dar início.

 

Sobre a adesão às “Águas do Ribatejo”, numa primeira análise sou contra, a não ser que me provem o contrário. Como todos sabemos os privados só querem negócios que sejam rentáveis, se o sector é rentável para os empresários também o será para a Câmara. Para isso bastará termos uma gestão eficiente. E não podemos esquecer que a água é um bem vital, de primeira necessidade, e só por essa razão acho que não devemos abrir mão dela só “por dar cá aquela palha”. Temos a obrigação de nos esforçarmos muito mais.

 

 

António Rodrigues (PS) – A nível ambiental é evidente que ainda não está tudo feito. Mas também não aceito demagogias políticas porque Torres Novas, apesar de tudo, é dos municípios, a nível do país, com maior índice de cobertura de saneamento. Estamos a falar de 72% ao nível do concelho, e mais de 60% a nível do tratamento dos esgotos. Ainda há muito para fazer e vamos fazer. Obviamente que não encontro outra saída que não seja aderirmos a uma estrutura de municípios que nos proporcionará o benefício de uma economia de escala e que fará os investimentos de uma forma vantajosa para o Município de Torres Novas. Para termos uma ideia, aderindo às “Águas do Ribatejo” teremos alguns saneamentos resolvidos a nível das freguesias e faremos algumas Etar´s, e esta adesão implicará que o município de Torres Novas não gaste um tostão, um centavo, com estes investimentos. Daí que advoguemos nesta fase eleitoral, e vamos propor, a adesão à empresa intermunicipal “Águas do Ribatejo”.

 

 

Carlos Tomé (CDU) – As questões do saneamento já se arrastam há muitos anos e este assunto nunca foi considerado prioritário. Houve ETARS que começaram a ser construídas e que foi interrompida a sua construção. Estou-me a lembrar da ETAR de Alcorochel e Árgea. Nesta área o que tem acontecido é o esquecimento total desta matéria com graves consequências na área da saúde e da vida das pessoas. O saneamento básico é um sector em que se baseia todo o desenvolvimento e não pode haver qualquer perspectiva de desenvolvimento sem haver respeito pelas condições básicas de  qualidade de vida das pessoas e este investimento até agora não aconteceu. No concelho de Torres Novas catorze mil pessoas não têm a rede completa de saneamento básico.  Os esgotos correm a céu aberto. Isto é um escândalo. O que está agora a acontece é que o presidente da Câmara quer apresentar uma proposta de adesão às Águas do Ribatejo sem este assunto ter sido estudado e avaliado se será benéfica ou não esta adesão. Não é uma decisão para ser tomada de ânimo leve.

 

 

Guilherme Pinto (BE) – Concordamos com essa adesão. A água é um bem público e nesse sentido deverá pertencer à gestão pública. Em relação ao ambiente, este tem sido um dos nossos pontos de batalha, porque não compreendemos nem aceitamos que os problemas do ambiente persistam da forma como se apresentam. Temos ETAR’s que funcionam mal, precisam de uma intervenção urgente. É demagógica a promessa do candidato do PS que diz que até Setembro teremos uma nova ETAR nos Riachos. É uma promessa que não irá ser cumprida. Propomos o aumento de cobertura do concelho em termos de saneamento, o próprio candidato do partido socialista diz que podemos ir aos 85% de cobertura. Há que fazer um estudo sério para ver até onde se pode ir, sendo que há que trabalhar, de forma a eliminar de vez com os esgotos a céu aberto e com a poluição do rio. Propomos uma requalificação das ETAR´s e se necessário a criação de novas.

 

Carlos Gomes (CDS-PP) – O saneamento na cidade, especialmente em zonas degradadas, não se encontra bem, necessitando de nova requalificação. Mesmo em zonas recentemente criadas creio que houve grandes falhas ao nível dos estudos para o escoamento das águas, de forma a se evitarem situações de inundação, como por vezes se verifica junto ao Centro de Saúde. Nas aldeias, recordo-me da construção das ETAR’s, inclusivamente na Rexaldia e Olaia. Simplesmente não estão a funcionar. Ou seja, as pessoas continuam a pagar as respectivas taxas mas sem benefício porque depois têm de construir as suas próprias fossas. Quanto à privatização das águas, creio que com essa solução amanhã o munícipe terá mais encargos a suportar. À partida este deverá ser um serviço público.

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