SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 20:05

HORIZONTE – “O Almonda” em eslavo (suplemento mensal)

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Publicado como Editorial na edição de 5 de Dezembro de 2008

 

No seu nonagésimo aniversário, o semanário católico de Torres Novas, “O Almonda”, tomou a iniciativa de incluir um suplemento em língua eslava para migrantes de Leste. Saudamos este gesto de abrir as portas da comunicação na língua de outros povos e desejamos que signifique uma manifestação de apreço por esta cultura tão antiga como rica e que contribua também para uma relação mais forte, cordial e mutuamente enriquecedora com esta gente.

 

No ano do jubileu do Apóstolo Paulo, ganha um significado especial esta preocupação de estabelecer diálogo entre culturas e povos através da inclusão, num semanário português, de uma língua tão diferente como a eslava. De facto, o grande missionário Paulo apresentou a fé cristã como uma ponte que une os povos e as culturas numa grande família universal. Viajante incansável, uniu, na sua pregação e nas suas viagens missionárias, o Oriente ao Ocidente e integrou, numa unidade nova e mais rica, as grandes culturas a que pertencia – a judaica, a helénica e a romana – na convicção de que Jesus Cristo veio fazer de todos os povos um só povo e, por isso, como dizia, não há judeu nem grego, nem escravo nem homem livre, mas todos partilhamos a igual dignidade de filhos de Deus, unidos na mesma fé, na mesma esperança e no mesmo amor.

 

Nós, portugueses, temos motivos especiais para acolher e estimar os estrangeiros. Na verdade, sempre fomos um povo em movimento por outros continentes e por outros países. Demos novos mundos ao mundo, como diz Camões. Quando, em meados do século XX, muitos compatriotas nossos procuraram trabalho noutras nações da Europa, foram recebidos como pessoas da mesma pátria. Conheço vários padres franceses que se dedicaram a aprender a língua portuguesa, para prestar apoio religioso, social e humano aos emigrantes portugueses. No contexto desta experiência migratória dos portugueses, faço votos para que esta abertura do “Almonda” à língua eslava seja um sinal e um instrumento de acolhimento e de comunicação com estes povos vindos de longe, bem como uma possível ajuda na sua integração nesta pátria lusitana.

 

 

Santarém, 19 de Novembro de 2008

 

 

Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

 

 

(Suplemento realizado mensalmente por membros da comunidade torrejana e imigrantes radicados na região, em colaboração com a APAI, Núcleo Torrejano da Associação Portuguesa de Aprendizagem Intercultural)

 

 

 

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