SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:37

Bem hajas…

 

Bem hajas por esta areia doirada onde me sento e descanso, e pela estrada de sol que me leva até ao fim da linha do horizonte.

 

Bem hajas pela brisa prateada que passa pelo meu corpo com seda, e me leva a sonhar; sonhar porque sonhar é viver.

 

Bem hajas pelas vagas ondeando sobre mim e, onde me sinto prima-bailarina neste incomparável bailado azul e branco, e por esta paz que se espalha pelo areal afora, e me convida a tecer com ele um colar de corais e flores marinhas.

 

Bem hajas pelo rumor do búzio que me leva docemente a imaginar-me solista de uma orquestra de violinos, acompanhada por um coro de vozes infantis, tendo como maestro, Vivaldi regendo o Verão.

 

Bem hajas pelo riso que vejo na boca das crianças que, saltitando no areal, enfeitam a praia de cores misteriosas, e pela cumplicidade linda do vosso bem-querer ao bem-querer dos namorados.

 

Bem hajas por eu estar atenta e, naturalmente, sentir a angústia provocada pela guerra, pela fome, pela indiferença socialmente inumana, pelo deixa andar, pelo desamor, pela questionável relação humana, e pelo heroísmo de dois jovens pais, brincando com o filhinho deficiente, ali na maré baixa e meiga.

 

Bem hajas por eu estar atenta e, naturalmente, sentir a angústia provocada pela guerra, pela fome, pela indiferença social, pelo deixa andar, pelo desamor, peça inquietante relação humana.

 

Bem hajas pelos homens na faina do mar, este mar imenso a estender-se pelas abas da terra, semeando-a de odores e fauna marinha, e pela gaivota minha irmã que sobrevoa o que escrevo e, cantando, me envia um beijo porque me entende.

 

Bem hajas pela vida e, por esta manhã violeta-branca, rasgada de sóis, levando-me por amor, a olhar sempre para além do imediatamente visível.

 

Bem hajas pela nobre tentativa dum Mundo melhor, quando anunciaste aos apóstolos: – Deixo-vos a paz, Dou-vos a minha paz, Deixai vir a Mim as criancinhas, Perdoais para que vos Perdoe.

 

Bem hajas por eu amar a liberdade, a fraternidade, o Mundo.

 

Bem hajas Meu Deus por tantas coisas maravilhosas que me vais dando, e por esta serenidade azul e branca, doirada pelo sol de Setembro, aqui na Nazaré.

 

Bem hajas Meu Senhor e Mentor por esta prosa, porque escrevendo-a, evoco o Mundo inteiro, sentindo-me assim, de bem comigo e com os homens.

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