SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 09:13

Entrevista a Marta Tomé

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Marta Tomé tem 34 anos, é professora de dança, intérprete e coreógrafa.

Riachense de gema, rouba as palavras a Rudolf Nureyev “a minha terra é o palco, a minha nacionalidade é a dança”.

No rescaldo do Dia Internacional da Juventude, O Almonda falou com esta jovem acerca da sua vasta experiência na dança e quis saber mais acerca dos seus projetos.

Jornal O Almonda: É riachense e depois de estudar fora decide voltar à sua terra para trabalhar na sua arte, a dança. Porquê?

Marta Tomé: Acho que não se pode dizer que tenha existido apenas uma razão para ter ficado por cá, porque, para ser sincera, no meu caso, uma coisa levou a outra. Vai-se criando um projeto, vão-se juntando pessoas, e quando vamos a ver, estamos de tal maneira embrenhados nas coisas que já não nos conseguimos dissociar delas. Comigo foi assim! Mesmo enquanto estudava, dava aulas de dança em Riachos, a minha terra. Vinha de Lisboa uma vez por semana para dar aulas a crianças a partir dos 3 anos, na Casa do Povo de Riachos. Aliás, duas das crianças que começaram aí, são agora minhas colegas de profissão, estando uma delas a trabalhar comigo no projeto O Corpo da Dança.

Neste momento, decidi ficar cá porque, para já, ainda acredito que é possível desenvolver projetos artísticos contemporâneos, coerentes e sólidos, fora dos grandes centros urbanos. Acredito que também devem existir projetos de formação e criação de arte contemporânea no interior do país, mesmo que esse interior não seja aquele interior profundo, continua a ser pouca a acessibilidade à arte contemporânea fora da malha urbana centralizada e que todos têm direito às mesmas oportunidades, ou seja, que a oferta artística seja a mais variada possível. E também porque achei que eu mesma deveria criar essa oportunidade, já que ela não existia.

Eu nunca quis abandonar a minha terra.

JOA: Fale-nos do projeto Corpo de Dança.

MT: O Corpo da Dança foi uma ideia que desenvolvi e criei acerca de um projecto de dança que pudesse agregar as vertentes da criação e da formação em dança, muito particularmente de dança contemporânea.

O Corpo da Dança foi pensado a partir da ideia de que a formação e a criação em dança são duas vertentes indissociáveis, aliás, é por isso mesmo que muitas salas de espetáculos têm serviços educativos. Parecia-me óbvio que a criação de espetáculos e a (in)formação de novos públicos deveria ser acompanhada da formação em dança, que a formação de alunos em dança, traria benefícios à área da criação e dos espetáculos, nomeadamente em termos de público. Quando se consegue desenvolver numa criança o interesse pela arte do espetáculo, essa criança torna-se um espetador ativo e informado e tornar-se-á, sem dúvida nenhuma, um adulto mais interessado e melhor informado, mais exigente e seletivo, melhor!

Célia Ramos

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