SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:58

Castelo e a Cerca (IV)

Depois de falar sobre a Avenida Marginal vou passar ao Castelo e à Cerca.

Ora aqui, estou mesmo à vontade, para gastar alguma tinta e por isso mesmo é natural que tenha muito para dizer…, escrevendo.

Quando num dos meus artigos anteriores dizia que há cerca de 60 anos, portanto na minha meninice, aqui moravam perto de 80 crianças, me disseram que estava a exagerar. Mas não, não exagerei. Num serão familiar, com a ajuda da minha irmã, a Cremilda, contámos cerca duma centena. Se alguém quiser saber, basta um contacto pessoal e terei muito gosto em avivar memórias.

Havia uma vida, que nem vos passa pela cabeça. Nós os rapazes, brincávamos às escondidas, no Castelo, na encosta e na Fontinha. Jogávamos à bola no “nosso” campo, atrás da Câmara, mas sempre com um olho em alerta, não viesse lá a policia, para nos confiscar a bola da “catechu” , que tanto nos tinha custado a adquirir. Era necessário completar uma caderneta com os cromos de todos os jogadores da 1ª divisão, para adquiri essa bola. Esses cromos vinham a enrolar os rebuçados comprados nos cafés da nossa zona. E cada cinco rebuçados custava um tostão, que íamos conseguindo por irmos fazer as compras às mercearias do Sentieiro, do Machado e Lopes ou do Fagulha.

Fazíamos corridas de atletismo com partida do Salvador, descendo em direcção á Ladeira Gil Paes, com passagem em frente da Câmara e terminava onde tinha começado.  Concursos de salto em altura para quem conseguisse saltar o muro do adro da Igreja do Salvador apenas num pulo.  Também jogávamos hóquei em patins, sem patins, claro. Utilizávamos o rinque da Praça de Outubro, que não era só nosso, pois era partilhado também pelas equipas da Rua da Levada,  da Hortelosa e a de Valverde, onde as sargetas dum lado e outro da rua, junto à fonte serviam de balizas. As bolas vinham directamente dos matraquilhos do Café do Manel de Alburitel. Quem marcasse golo, tinha o trabalho de tirar a mesma da sargeta e ir lavar as mãos à fonte. Havia também um campo comunitário para o jogo do berlinde, junto à Columbófila/Restaurante Rogério. E assim eramos felizes e dávamos vida aquele espaço. Lembro-me perfeitamente que uma das corridas mais violentas, era subida em velocidade, da Ladeira de S. Maria, que terminava no cimo das escadas e ganhava quem pulasse todos aqueles degraus, com menos saltos. Com aquela juventude, conseguia-se ultrapassar as escadas com 2 pulos apenas. Era obra de velocistas campeões.

E foi precisamente a pensar nas dificuldades que eu e as pessoas com mais de 40 anos temos para ir lá acima ao Castelo, que advogo que os acessos ao mesmo têm que ser facilitados ao máximo.

Pode ser uma ideia louca, mas não é, porque se houver vontade política a obra será feita.

Em frente da Rua dos Cides, junto à Praça dos Claras há um espaço ideal para ali se construir um edifício onde funcionaria o Posto de Turismo. Deste edifício sairia um túnel/galeria, com cerca de 50 metros de cumprimento, de onde partiria um elevador para dentro da Alcaidaria ou num seu anexo a construir. No túnel haveria umas lojas com venda de recordações, produtos regionais e logicamente o controle de acesso ao elevador, que teria o horário normal do  acesso ao Castelo. O actual edifício do Turismo, no Largo dos Combatentes serviria para prolongamento do Museu Municipal, com uma saída feliz para quem acabou de fazer uma visita ao melhor que temos na cidade.

Ouvi alguém dizer que esta solução, de entrada para o Castelo,  não é viável, porque se pode encontrar rochas na perfuração do solo. É uma desculpa de quem não quer aceitar a ideia, pois que eu saiba, tem se feito muita construção há volta do castelo e nunca foi encontrado terreno rochoso. Veja-se por exemplo a muralha da cerca ou as encostas do Castelo. Não há vestígios de rochas. Entrando com esta facilidade no Castelo, qualquer visitante/turista, teria mais tempo e menos fadiga, para usufruir de tudo o que vier a ser criado naquela zona.

Actualmente, temos belas paisagens, sobre o Rio Almonda e Jardim, sobre a cidade, vistas a partir do próprio Castelo ou do Cruzeiro, temos duas lindíssimas Igrejas e o Museu Carlos Reis, que é dos melhores do país, e com a maior colecção de quadros de Carlos Reis, o que é um orgulho da cidade.

Há necessidade urgente de aqui se criarem mais espaços públicos museológicos de temas da nossa região.  Por exemplo, dedicado à olaria, aos lagares de azeite,  aos alambiques, à cultura do figo, à fabricação do papel, aos transportes púbicos, à fiacção de tecidos, ao fabrico de máquinas,  etc …     E espaço para isso, também existe. Aproveitar a antiga biblioteca.

Com mais estes pontos de interesse, o visitante, necessita de se sentar para uma boa refeição, depois continuar na nossa cidade, para outras visitas de interesse, e aqui pernoitar, porque os alojamentos são bons e muito mais baratos que os da redondeza.

Pois é, Torres Novas, precisa do visitante/turista, e eles merecem conhecer Torres Novas e com as vias rodoviárias que temos, tudo funciona a favor da nossa cidade. Basta sair da Auto Estrada. Percorridos pouco mais de 500 metros estão no coração da cidade. Para saírem a facilidade é a mesma.

Para bem de Torres Novas, este espaço da Cerca precisa da vida que tinha nos anos 60 do século passado.

Existem neste espaço, muitos edifícios, alguns em ruínas que podem ser aproveitados para a hotelaria, restauração e comércio diverso.

O actual edifício da sede dum partido político, tem condições esplendidas, para um hotel com a Recepção no Jardim das Rosas, ligando-o lá acima através dum elevador.

A parte debaixo do Cruzeiro, é lugar excepcional para fazer restaurante panorâmico. Acabava-se de vez com o mau uso que lhe é dado actualmente. Como toda aquela serventia que vai das escadas da Igreja de Salvador é pública, ali em espaço subterrâneo podem nascer espaços aproveitáveis para vários fins.

E será a partir daqui que desenvolverei um outro artigo, ainda sobre o mesmo tema, pois no Castelo e na Cerca, muita coisa há a fazer.

 

Luís Ribeiro

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