SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 09:01

Nos cem anos da visita do 6º Presidente da República a Torres Novas (parte 3)

Próximo das dezassete horas, na praça 5 de Outubro, afluiu uma enorme multidão, ávida por ouvir as palavras dos altos representantes da nação. Pela voz de José da Silva Paulo foi declarada a abertura do comício. Seguiu-se o discurso proferido por Arnaldo de Carvalho, em que manifestou, primeiramente, a sua “simpatia pelo povo de Torres Novas”, destacando a sua importância para a Implementação da República: “ Foi ali que lançou os primeiros brados para a emancipação do país, [a que se seguiu] a maior campanha para que um regime odioso, não continuasse à frente da nação”. Declarou-se, de espírito e alma, ao lado de António José de Almeida, para a ressurreição da pátria, tão maltratada pelo anterior sistema político, afirmando que “a República se fez para todos os portugueses”. Endereçou aos torrejanos presentes um convite para colaborarem nessa “grande obra, para que o futuro do país seja tão belo, como, na verdade, deve ser.”

Também o malogrado político, António Granjo, participou no comício como orador. No dizer das suas palavras: “ A República fez-se para efectivar, no nosso país, direitos que a todos os povos pertencem, e realizar fórmulas administrativas verdadeiramente redentoras.” Segundo ele: ”A acção republicana tem de fazer-se pela bondade e tolerância – sentimentos queridos de todos os bons patriotas.”

Alicerçando as suas palavras na insuspeitável união entre ética e política – que, hodiernamente, deixou de marcar a actividade política, em resultado da falta de vergonha de muitos governantes -, proferiu: “os evolucionistas não vêm fazer promessas, porque sendo políticos honrados, nada mais prometem do que o cumprimento dos princípios que adoptaram. As promessas impossíveis de cumprir, deixamo-las, exclama, aos outros que, ao fazê-las, têm a convicção absoluta de que as não podem realizar.”

Coube ao ilustre tribuno Júlio Martins, falar sobre a verdadeira liberdade. Esta palavra, para ele: “tem o sagrado condão de acender em todos os peitos o fogo do entusiasmo.” A Implementação da República, foi realizada com “base nos seus princípios”. Dela resultaram muitos benefícios, entre os quais: “a lei da instrução primária, que é aquela em que reside a segura garantia do futuro do país, que muito tem a esperar da sua acção benéfica e salvadora.”

Os republicanos viram na educação a verdadeira chave para arrancar Portugal do marasmo e pobreza em que se encontrava, numa altura em que o analfabetismo atingia setenta por cento dos portugueses. Por esse motivo instituíram o ensino obrigatório. Ao apostarem na formação dos seus cidadãos sabiam que os tornavam melhores, mais conscientes dos seus direitos e deveres. Ao mesmo tempo, preparavam-nos para os desafios técnicos e industriais colocados pelo mundo que estava a nascer.

O desinvestimento actual na educação por parte do governo é uma das formas «criativas» dos actuais representantes de cercear a liberdade de um povo e de arrastar muitos dos seus cidadãos sem recursos monetários para uma vida marcada pela indigência e ignorância. Numa palavra, para o servilismo.

No seu discurso, Júlio Martins fez também “a promessa sagrada”, na praça pública torrejana, “de o seu partido promover a grandeza da Pátria, pela tolerância republicana. Nesse sentimento [segundo ele] reside a harmonia de todos os cidadãos. Todas as crenças devem ser respeitadas, pois, de contrário, a liberdade, na República, seria uma mentira, e ela fez-se para todos os indivíduos limpos de carácter e de honradez comprovada (…). O seu partido quer paz, ordem e trabalho.”

Os torrejanos ovacionaram calorosamente o homem que pronunciou tão sinceras palavras, compreendendo que só através da tolerância e respeito pelos outros se poderá construir uma sociedade justa e harmoniosa.

( continua)

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Que Nossa Senhora dos Aflitos nos valha, visto que o futuro não é risonho. Justiça não virá por certo, sofrimento sim. Passem muito bem, que, entretanto, temos de ir dar água à mula. Ela está a morrer de sede.

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